Qatar tem dez dias para aceitar o que considera inaceitável

O governo qatar já disse que não negociará nada enquanto se mantiver o bloqueio internacional.

Os quatro países islâmicos que encerraram as fronteiras e suspenderam a diplomacia com o Qatar – Egipto, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita – já enviaram as suas propostas para acabar com o conflito. São 13 pontos que os quatro países querem que o Qatar cumpra – mas a iniciativa está muito longe de ser suficiente para acabar com a crise que se instalou no Médio Oriente.

É que o Qatar já disse que não pretende envolver-se em qualquer negociação ou aceitar seja que medidas forem enquanto o embargo ao seu território se mantiver. Ou seja, o Qatar recusa liminarmente todas as propostas por considerar que nem sequer está aberto o período para as discutir.

Das 13 propostas – que, mais que propostas, são obrigações que os quatro países pretendem impor – avulta o encerramento da cadeia televisiva Al-Jazeera, que, segundo vários comentadores afirmaram na altura do início da crise, era um dos principais problemas que se colocavam. Desde que apareceu, em 1996, a cadeia televisiva tem-se destacado pela liberdade de informação e por manter-se distante dos poderosos grupos de influência que se encontram instalados no Médio Oriente. A sua atividade foi sempre muito mal vista pelos regimes árabes e o fecho da empresa está há muito no topo da agenda política de vários governos. Sobre esta matéria, responsáveis da cadeia televisiva já reagiram, dizendo considerarem a imposição inconcebível.

Os restantes pontos são os que se esperavam: a redução da diplomacia entre o Qatar e o Irão – o rival da Arábia Saudita; o fim do apoio a grupos de radicais islâmicos, como a Irmandade Muçulmana, Hezbollah, Al-Qaeda, Daesh e todos os outros que constam como agentes do terrorismo nas listas dos Estados Unidos; e o pagamento de indeminizações pelo apoio prestado a esses grupos.

Menos esperado é o ponto em que os quatro países querem impor ao Qatar o encerramento da base militar que a Turquia tem no pequeno país – e que surgiu como forma de Ancara promover o aumento da sua influência no Golfo Pérsico. A proposta dá a entender que o grupo dos quatro países muçulmanos não está interessado no aumento da influência turca na região – algo que o presidente turco, Recip Erdogan, quer aumentar ainda mais.

Ao mesmo tempo que o Qatar afirmou não negociar coisa nenhuma enquanto se mantiver o bloqueio internacional ao seu país, vários analistas já adiantaram que o pacote é praticamente inaceitável, dado constituir uma enorme ingerência na soberania do pequeno país. O que pode querer dizer que a crise no Médio Oriente está ainda muito longe de desaparecer.

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