Quanto pesa o futebol profissional no PIB nacional? Mais de 456 milhões, estima a EY

Anuário da Liga Portugal e da consultora EY analisa, pela primeira vez, o impacto na produção de receitas para o Estado e no PIB nacional, bem como a quantificação de postos de trabalho geradas na indústria.

A época 2016-2017 contribuiu com mais de 456 milhões de euros para o produto interno bruto (PIB) nacional, de acordo com a primeira edição do anuário do futebol profissional português divulgado esta sexta-feira pela Liga Portugal e a consultora EY.

Além do futebol profissional na época 2016-2017 ter representado, pelo menos 0,25%, do PIB português, nesse mesmo período estima-se que a Liga Portugal e as sociedades desportivas (SAD) analisadas geraram mais de 680 milhões de euros em volume de negócios.

Estas conclusões estão contidas num anuário da Liga Portugal e da consultora EY, que analisa, pela primeira vez, o impacto na produção de receitas para o Estado e no PIB nacional, bem como a quantificação de postos de trabalho geradas na indústria.

“O futebol em Portugal tem impactos diretos significativos, e que resultam da atividade direta da Liga e das Sociedades Desportivas, “afirma Miguel Farinha, responsável da EY.

Em comunicado, A Liga Portugal e a EY realçaram que o “contributo para o PIB, trata-se de um valor impulsionado pela subida das receitas das Sociedades Desportivas da Liga NOS e que ascenderam aos 659 milhões de euros, um aumento de 31% face à temporada anterior. Ganhos relacionados com direitos de atletas e valores previstos em contratos de transmissão televisiva de jogos, destacaram-se como as principais fontes de receita”.

Mais, “altamente influenciada por salários mais elevados de atletas, treinadores e funcionários, a despesa total das SAD’s e da Liga NOS ascendeu aos 585 milhões de euros, um aumento de 6%” face à época 2015-2016.

Segundo Miguel Farinha, “para além deste impacto direto na economia, existem também impactos indiretos, como o social e cultural, e que, apesar de não calculados neste anuário, são tão relevantes como os diretos. Se estes impactos indiretos fossem contabilizados, bem como o impacto direto existente da Federação e das sociedades não profissionais, o peso do futebol no PIB nacional ou mesmo a estimativa de criação de emprego seriam ainda mais elevados”.

Sobre a Liga NOS, concretamente, o anuário conclui que os gastos com pessoal tingiu os 268 milhões de euros, representado esse valor mais de 12% em salários. Em 2015-2016, “o perfil de gastos com pessoal foi de 177 milhões de euros com jogadores dos plantéis (74%), 28 milhões de euros com treinadores das equipas (12%) e 26 milhões de euros com funcionários das Sociedades Desportivas (11%)”. Nessa época, o ordenado médio dos jogadores da Liga NOS foi de 197.595 euros anuais.

Quanto a gastos relacionados com direitos de atletas, foram amortizados 80 milhões de euros, cerca de 86% do total da rubrica.

Em 2016-2017, a Liga conseguiu ainda abater custos das dívidas contraídas, ao pagar 43 milhões de euros em juros. “Os três primeiros classificados têm um peso de 96% desse montante”, lê-se no mesmo comunicado. O Anuário revela ainda que o total do ativo e do passivo das SAD’s tem vindo a aumentar.

Para Pedro Proença, presidente da Liga Portugal, o anuário “sistematizou toda a informação relevante da indústria do futebol profissional. Os números e os factos que trabalhamos, um documento que será uma ferramenta vital para o crescimento e desenvolvimento da nossa indústria”.

“Os horizontes da gestão do futebol profissional e da valorização das competições estão clarificados e obedecerão a um plano estratégico consistente e estruturante gerido pela Liga Portugal, que estará apoiado pelo know-how da consultora EY”, acrescentou.

 

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