Quase mil camas ocupadas com internamentos sociais no SNS têm custo de 100 milhões de euros

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) tinha em 19 de fevereiro 960 camas ocupadas com internamentos sociais, com um custo estimado anual de quase 100 milhões de euros para o Estado, de acordo com um barómetro hoje divulgado.

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) tinha em 19 de fevereiro 960 camas ocupadas com internamentos sociais, com um custo estimado anual de quase 100 milhões de euros para o Estado, de acordo com um barómetro hoje divulgado.

De acordo com os dados do 2.º Barómetro de Internamentos Sociais (BIS), divulgado pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), “a 19 de fevereiro de 2018, 960 camas, o equivalente a 6% do total das camas disponíveis, em 74% dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), eram ocupadas com internamentos inapropriados, predominantemente justificados pela falta de resposta na rede de cuidados continuados”.

A maioria dos casos, segundo o comunicado da APAH, localizam-se na região norte (43%) e Lisboa e Vale do Tejo (38%).

“Para a generalidade dos hospitais auscultados, a média de internamento inapropriado está nos 67 dias, o que corresponde a uma despesa estimada de 26,3 milhões de euros. A extrapolação deste valor para um ano dos internamentos inapropriados evidencia um impacto estimado superior a 99,7 milhões de euros para o Estado”, lê-se no comunicado.

Segundo o BIS a maioria dos internamentos sociais tem origem médica (72%) e 56% dos casos são mulheres.

“Quando às idades, 22% correspondem a pessoas entre os 18 e os 65 anos, 36% referem-se ao intervalo entre os 65 e os 80 anos e 41% dizem respeito a internamentos de utentes com mais de 80 anos, apenas 1% respeita a pessoas com idade inferior a 18 anos”, precisa o comunicado.

O internamento social corresponde a um prolongamento dos internamentos hospitalares para além do período clinicamente necessário e pode conduzir a “complicações evitáveis para o doente”, como o aumento do risco de infeções, malnutrição, depressão, entre outros, para além de representar um problema nos tempos de espera para outros internamentos, como os decorrentes de cirurgias, o congestionamento das urgências.

“O prolongamento dos internamentos é um problema muito complexo. Ao longo do tempo, a incapacidade das famílias e falta de respostas na comunidade têm sido apontadas como as principais razões para a inadequação do período de internamento. Geralmente, estes internamentos são caracterizados coloquialmente como sociais”, refere o documento da APAH.

A APAH, que diz representar 650 associados com funções de administração e gestão na área da saúde em Portugal, organiza hoje um congresso em Viseu, no qual apresenta os resultados finais do 2.º BIS.

Depois de o 1.º BIS, em outubro de 2017, a APAH diz ter como objetivo “a monitorização periódica deste fenómeno, de forma a dar relevo à problemática e a fomentar o desenvolvimento de ações conjuntas para minimizar o seu impacto”.

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