Quinta da Boa Esperança: Vinhos especiais para uma Londres ‘premium’

O sommelier Tim McLaughlin descobriu os vinhos da Quinta da Boa Esperança, num restaurante do Líbano. Começou assim mais uma viagem gastronómica que levou a uma parceria inédita. O resultado é que os vinhos da Quinta da Boa Esperança, nas imediações de Torres Vedras, dos produtores nacionais Artur Gama e Eva Moura Guedes, vão ser colocados nos restaurantes londrinos ‘premium’, com a chancela da prestigiada Sommelier’s Choice.

Há quem diga que forma mais rápida e eficaz de viajar é o pensamento. Outros têm uma versão alternativa, uma forma específica de pensamento, vertida em literatura. O que é certo é que a vontade de descobrir e a imaginação são essenciais para sermos bem sucedidos nestes percursos de viagens. Num mundo cada vez mais globalizado, o vinho tem sido um grande aliado das viagens, por muito massificadas que se tenham tornado, bastando ver o êxito crescente do fenómeno do enoturismo para confirmar a relação cada vez mais estreita entre a vitivinicultura e o turismo.

Na base destes fenómenos há também a curiosidade crescente por experiências em particular de gastronomia, de eventos de associação entre a comida e os vinhos. Isso explica o grande êxito a nível internacional dos chefs e dos sommeliers, os verdadeiros magos dos nossos dias e os seus dias de glória parece que não irão terminar tão cedo.

Tim McLaughlin é um sommelier, uma estrela em ascensão desta constelação em permanente expansão. Já trabalhou com Alan Ducasse (detentor de três estrelas Michelin) e com Anton Mosimann (duas estrelas Michelin). Este enólogo britânico corre o mundo à procura de vinhos especiais que a empresa onde trabalha, a prestigiada Sommelier’s Choice (http://www.sommelierschoice.co.uk/), depois coloca nos melhores restaurantes do Reino Unido, incluindo um que ele próprio gere, o ‘The Hawksmoor’, em Covent Garden. Há uns meses, Tim McLaughlin, um dos enólogos mais conceituados do Reino Unido, estava nas suas deambulações vínico-gastronómicas num restaurante premium no Líbano quando teve uma epifania depois de lhe terem dado a provar um dos vinhos produzidos na Quinta da Boa Esperança, nas imediações de Torres Vedras.

Em poucas semanas conseguiu movimentar a sua rede de contactos e chegar à fala com Artur e Eva, os donos da Quinta da Boa Esperança, e combinar um encontro na própria quinta, incluindo com a enóloga da casa. Este em Portugal no mês passado a combinar os detalhes desta parceria. O objetivo é partir para a produção de uma edição limitada dos vinhos da Quinta da Boa Esperança para distribuição exclusiva por parte da Sommelier’s Choice em restaurantes premium da megalópole londrina.

Artur Gama, um dos proprietários da Quinta da Boa Esperança, explicou ao Jornal Económico os pormenores deste projeto inédito que coloca a produtora de vinhos nacionais nos píncaros gastronómicos de uma das cidades mais exigentes, sofisticadas e caras do Mundo. O vinho que vai ser alvo desta edição especial “é um blend de Touriga Nacional e Syrah de 2015 com um toque especial”. Isto é em relação ao tinto, que vai ter, este ano uma edição de mil garrafas no âmbito deste projeto. No caso do branco escolhido por Tim McLaughlin, Artur Gama ainda não revelou pormenores, mas sabendo-se que a Quinta da Boa Esperança produz as castas Arinto, Fernão Pires e Sauvignon Blanc, a aposta deve passar por aqui…

Segundo Artur Gama, este projeto ambicioso “vem no seguimento daquilo que é o projecto da Quinta da Boa Esperança que passa por experimentarmos coisas novas e surgiu como um desafio de fazer um vinho com um sommelier que nunca tinha trabalhado com vinhos portugueses”.

Em termos comerciais, este projeto entre a Quinta da Boa Esperança e Tim McLaughlin vai designar-se ‘Project #1’. As garrafas e os rótulos terão um selo da Sommeliers’s Choice. Estes vinhos da Quinta da Boa Esperança serão lançados em Londres a 26 libras a garrafa, quase a 30 euros nos tempos que correm.

Questionado sobre como é que surgiu esta parceria, Artur Gama destacou que “a  Sommelier’s Choice representa os nossos vinhos no Reino Unido e como trabalhamos muito directamente com restaurantes e chefs, pensámos em desenvolver um vinho gastronómico e um pouco diferente daquilo que temos feito aqui”.

“Como é um vinho com uma edição muito limitada passará sempre por estarmos naqueles restaurantes que valorizam este tipo de projetos. Daí que o impacto comercial passa mais por um mercado de nicho”, explica Artur Gama.

Pode não gerar grandes somas de faturação, mas será um inestimável cartão de visita para a Quinta da Boa Esperança, cuja propriedade Artur Gama partilha com Eva Moura Guedes. Inseridos na região de Lisboa, estes produtores dispõem de 10,5 hectares de vinhas velhas, a que acrescem nove hectares de vinha nova. Os enólogos Rodrigo Martins e Paula Fernandes são os responsáveis pelos vinhos que despertaram a curiosidade e o interesse de Tim McLaughlin e, portanto, o mérito deste projeto único também passa por eles…

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