Quo vadis Portugal? (parte I)

Hoje é dia de abraçar 2017 como António Costa abraça Marcelo e não deixar entrar o diabo profetizado por Passos.

Em 2016, por entre engenhosas engenhocas, inspirado no Frankenstein de Mary Shelley, António Costa deu vida a uma geringonça articulada e elevou as vacas à condição de animais alados. Neste universo de “Costa no país das maravilhas”, muito ficou, porém, por fazer. Destacamos algumas das (re)soluções às quais deveria chegar também um pouco de magia em 2017. Apenas uma área de intervenção por cada badalada, para ser mais fácil cumprir com os objetivos:

  1. Na área da Justiça são muitas as queixas e as críticas. Destacamos, contudo, a necessidade de encontrar uma alternativa ao Conselho Superior da Magistratura (CSM). A recente decisão deste CSM ao considerar que não há motivos para instaurar um processo disciplinar a Carlos Alexandre devido à entrevista que este deu a um canal de televisão, não nos surpreende, mas incomoda-nos. Os amigos do super juiz não encontraram “relevância disciplinar” nas patéticas, mas nada ingénuas, frases do colega ditas numa clara alusão a um processo em que está envolvido. Aos olhos de todos, estas frases são, no mínimo, nada éticas, mas para os “amigos-colegas” juízes não justificam sequer a intervenção da disciplina (não vá um dia estar um deles colocado na mesma situação…). Se os juízes não se conseguem auto-disciplinar (o que compreendemos) talvez o CSM devesse ser substituído por uma espécie de “Conselho de júri”, criado ad hoc, composto por diferentes representantes da sociedade civil, escolhidos aleatoriamente, distantes e isentos o suficiente para apreciarem as questões em que os magistrados possam ter atuado “menos bem”.
  2. Também na Saúde se observa o mesmo compadrio. A responsabilização dos profissionais de saúde, não raras vezes, termina no “juízo especializado” de um colega que atesta, de forma arredondada e nebulosa, que “nas circunstâncias em que o médico se encontrava, não poderia deste ser pedida outra atuação, posto que agiu com a diligência e o conhecimento possíveis em face daquela situação”. O problema reside no facto de não haver especialistas maiores do que os “colegas-amigos” que, na casa da Justiça, ajuízam “hoje ele, amanhã eu”. Este esquema podia contornar-se com a constituição de uma bolsa de médicos peritos forenses que se dedicariam em exclusivo a essa atividade, não temendo estar “amanhã” na situação do colega que estão “hoje” a avaliar.
  3. Na casa do Trabalho, Solidariedade e Segurança social há muito a fazer, mas é imperativo rever-se o mecanismo de atribuição de baixas médicas, sobretudo as psiquiátricas (e sobretudo na função pública). Em prol da saúde psíquica dos trabalhadores, se o cerco das baixas fosse apertado talvez se ponderasse mais antes de se querer ser considerado “doente mental”. Ressalvando algumas exceções, de um modo geral, o trabalho foi sendo prescrito ao longo dos tempos como um medicamento essencial para a saúde mental. Por outro lado, empregador nenhum, e muito menos o Estado, deveria ser prejudicado pela infelicidade de ter dado uma ou mais oportunidades de trabalho a uma pessoa que se revelou, mais tarde, psicológica e cronicamente enferma.
  4. A Administração Interna é fulcral para o desenvolvimento de um país. Reconhecemos o mérito e as prestações de todos os serviços de segurança, mas consideramos que se podia aumentar a sua eficácia se se criasse uma “polícia única”. Seria uma polícia organizada por setores de atuação, devidamente hierarquizados e estruturados, e em que as atividades não se atropelariam. Todos saberiam exatamente o que deveriam fazer e trabalhariam verdadeiramente articulados e em equipa, em prol do mesmo fim: a segurança. Acabavam-se assim as “quintinhas” e as duplicações de meios e verbas.
  5. A Educação está de parabéns pelos excelentes resultados que alcançou. Os nossos alunos têm obtido muito bons resultados e as classificações não envergonham Portugal lá fora. Cá dentro, a história não é a mesma. Repudiamos o facto de haver tantas disparidades entre as notas do ensino público e as do ensino privado. Consideramos que se deve colocar um fim à “compra de notas”. Por outro lado, os alunos com 20 valores de média não deveriam ter um “passaporte direto” por exemplo para a profissão de médico. Testes vocacionais deveriam ser obrigatórios à entrada de algumas profissões que exigem na sua prática mais do que boas notas. Médicos, magistrados e professores não o deveriam ser, se para isso não tivessem as devidas competências emocionais e vocacionais…
  6. Também na Cultura algo deve ser feito para se rentabilizar o muito património estatal português que se encontra sem fins atribuídos ou abandonado. Portugal não tem riqueza para se dar a estes luxos. Importa refazer a história de Portugal através da reconstrução e revitalização de imóveis e locais que a marcaram desde a fundação até aos nossos dias.

Hoje é dia de abraçar 2017 como António Costa abraça Marcelo e não deixar entrar o diabo profetizado por Passos e que podemos ver na sua cara de cada vez que lhe perguntam se o PSD apoia Cristas para Lisboa! Boas entradas!

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