‘Rally’ tecnológico enfrenta caminho tortuoso, mas não acabou

A resistência das empresas tecnológicas foi esta terça-feira testada, quando a Google foi multada pela Comissão Europeia em 2,42 mil milhões de euros. No entanto, o crescimento económico e o ‘momentum’ das ações norte-americanas poderá oferecer resiliência contra a volatilidade.

Depois de meses gloriosos e de uma súbita desilusão, as dúvidas crescem em relação às ações do setor tecnológico. O estrategista chefe de investimento global da BlackRock, Richard Turnill, defende que o rally não terminou. Pelo contrário, as empresas tecnológicas deverão continuar a crescer, numa altura positiva para as ações, sustentada pelo crescimento económico global.

“O setor da tecnologia tornou-se o principal motor de impulso recentemente”, explica o analista da gestora de ativos, num comentário semanal. “Uma queda acentuada nas ações tecnológicas causou uma quebra momentânea no rally em meados de junho, mas acreditamos que tais episódios não devem assustar os investidores”.

O relatório lembra que as quebras de momentum duram geralmente menos de dois meses, a menos que influenciados por choques económicos ou financeiros. “O setor tem a maior previsão de crescimento dos ganhos em 2017, excluindo a energia e os materiais, e a tecnologia está cada vez mais a perturbar os modelos de negócio tradicionais”.

Desde o início do ano, o índice tecnológico norte-americano Nasdaq já acumulou uma valorização superior a 15%. Em janeiro, o Nasdaq ultrapassou os 5.500 pontos e em abril superou os seis mil pontos, impulsionado pelas ações do Facebook, Apple, Amazon, Alphabet e Microsoft. Já o fundo de investimento tecnológico XLK tem um ganho de 17% este ano.

Crescimento económico sustenta rally contra volatilidade

A resistência das empresas tecnológicas foi esta terça-feira testada, quando a Google foi multada pela Comissão Europeia em 2,42 mil milhões de euros por abuso de posição dominante no âmbito do serviço de comparação de preços online do motor de busca, o Google Shopping. Apesar de esta ter sido a maior multa de sempre imputada a uma empresa em território europeu, as ações da empresa tiveram uma reação pouco acentuada, com uma desvalorização de cerca de 1%.

Além do momentum do setor tecnológico, Richard Turnill destaca ainda a altura positiva para o investimento em ações, suportado pelo crescimento económico. Segundo a gestora de ativos, os preços das ações estão acima do valor este ano e a tendência deverá manter-se com as estimativas de expansão da economia mundial. “As perspetivas de lucros sólidos poderiam ajudar a aumentar os ganhos, mas este pode ser um passeio acidentado”.

“O momentum ultrapassou historicamente o mercado mais amplo, mas com quedas periódicas”, ressalva o estrategista chefe da BlackRock. “As maiores quedas no desempenho relativo coincidiram com recessões e crises financeiras. A nossa pesquisa mostra que o impulso tende a ser o melhor durante as expansões económicas estáveis – e vemos que esse ciclo tem amplo espaço para continuar”.

A previsão é, por isso, de resiliência face à volatilidade. “Vemos uma expansão económica sustentada que mantenha um regime de baixa volatilidade por mais tempo que o esperado. Isto é um bom presságio para os negócios do momentum, mas uma mudança súbita na liderança das ações, como resultado de uma desaceleração do crescimento global, lucros mais fracos do que antecipados ou um aumento nas yields das obrigações, pode ameaçar o rally“.

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