Regresso limitado

Foi-me lançado o desafio de colaborar no lançamento de uma estrutura regional ligada ao Jornal Económico na Madeira, capaz de garantir uma informação online centrada sobretudo em temática económica, financeira e empresarial, mas sem perder contudo de vista a política, porque dela tudo depende, mesmo quando pareça que não, o desporto e outras matérias que porventura sejam passíveis de tratamento informativo.

Aceitei esse desafio porque independentemente de tudo, trata-se de um regresso ao mundo da comunicação social, que sempre foi o meu mundo, e ao qual estou ligado desde 1974, mesmo quando andei dele afastado durante alguns anos devido a outros desafios profissionais que me foram suscitados.

Reconhecidamente, os tempos não são os melhores para a comunicação social. Comprovadamente há uma crise, mais ou menos camuflada, mais ou menos assumida, que tem deixado marcas concretas a todos os níveis, fragilizando e condicionando um setor – os media – que, apesar de tudo, continua a ser uma referência na sociedade.

Hoje discute-se a sobrevivência da comunicação social nos próximos tempos, colocando em cima da mesa a necessidade dela se preparar, sim ou não, para desafios novos que serão decisivos e que a seu tempo aparecerão. Mais do que discutir dificuldades financeiras, que são reais, mais do que salientar as fragilidades em termos de recursos humanos, que são cada vez mais escassos, há que ter a consciência que nada se resolvem com milagres.

As tecnologias de informação trouxeram consigo uma nova realidade, obrigaram os media tradicionais a correrem atrás dos prejuízos e a adoptarem as melhores opções para que fosse facilitada a sua resistência coletiva perante os efeitos de uma nova pressão concorrencial.

No caso da imprensa, e mesmo da rádio e da televisão, a níveis diferentes entre si, as edições digitais ganharam paulatinamente espaço próprio. Mais do que discutir hábitos de leitura ou outras preferências dos consumidores, há que centrar o debate em torno, uma vez mais, do que se poderia chamar de regresso às origens, capaz de emprestar jornalismo, a vitalidade, os valores, a acutilância e os princípios éticos de outros tempos. Tempos em que se transformou a comunicação social num instrumento ao serviço do sectarismo, da subserviência e do uso arbitrário por parte de grupos de pressão e ou de interesses, sejam eles políticos, económicos ou financeiros, e não numa referência respeitada e levada a sério pela sociedade.

Este meu “empréstimo” à comunicação social não será uma brincadeira, até porque os tempos não se compadecem com superficialismos, mas a procura de um contributo capaz de criar uma estrutura redatorial apta a responder a determinadas exigências e a garantir a sua sobrevivência num contexto adverso que afectou e afecta o mercado publicitário e as vendas no caso dos jornais. Tenho para mim que não se vislumbram sinais de que algo vá mudar.

O Económico Madeira não quer guerras com ninguém não vem fazer a concorrência seja a quem for, não quer agravar ainda mais o panorama que caracteriza o sector dos media. Pretendemos apenas e só criar e consolidar um espaço próprio, recusando dar “passos maiores que a perna”, mantendo os pés bem assentes na terra, tentando ir ao encontro de uma determinada faixa da opinião pública a quem se esgotou a paciência com a política.

O nosso compromisso é apenas o de nos empenharmos para que possamos responder ao que esperam deste projecto. Apenas isso.

Este regresso muito temporário, à comunicação social, agrada-me porque mostra que estamos vivos, que mantemos todas as nossas faculdades e que acreditamos nas nossas competências individuais mas sobretudo colectivas, gerando um grupo de trabalho empenhado em dar tudo o que lhe seja possível e capaz de dar.

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