Respostas Rápidas: o que foi dito no debate sobre o Estado da Nação?

O debate sobre o Estado da Nação é sempre um pouco ao lado do estado do país. E este ano não fugiu à regra: marcado pelas palavras sobre o aprofundamento da ‘geringonça’ proferidas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros e pela negociação do Orçamento de Estado, António Costa descreveu, como lhe competia, o país de todos os sucessos.

Que disse o Governo sobre o estado da Nação?

Que é bom e que se recomenda: virar a página da austeridade, relançar a economia através da recuperação do rendimento das famílias, recuperar os níveis de proteção social e equilibrar de forma sustentada as finanças públicas através da redução do défice e do peso da dívida, era o caderno de encargos em 2015. Que o governo cumpriu, na ótica do primeiro-ministro, contra tudo e contra todos: contra a esquerda, a que sustenta o executivo no parlamento, porque considerava impossível “acabar com a austeridade mantendo o país no euro”; e contra a direita, que insistia no diabo que estava por trás da “melhoria da competitividade rompendo com modelo de desenvolvimento assente na destruição de direitos”.

 

Que números sustentam a posição de António Costa?

“O crescimento de 2,7% do PIB em 2017 foi o maior do século, o investimento cresceu 9,1%, na maior variação homóloga dos últimos 19 anos, e as exportações de bens e serviços cresceram 11,2% em 2017. Também no emprego, foram criados mais de 300 mil empregos e a taxa de desemprego recuou para o nível mais baixo desde 2002 (7,2%), registando a queda mais acentuada da zona euro em 2017. Há hoje menos 250 mil desempregados, dos quais 190 mil de longa duração.”

 

Que disse Costa sobre a ‘geringonça’?

Para quem quis compreender, disse que “em setembro, quando aqui voltarmos, estaremos a preparar o último orçamento desta legislatura, e quero ser claro: não será pelo facto de estarmos a pouco mais de um ano das eleições que vamos sacrificar o que já conquistámos ou mudar de rumo”. Ou seja, Costa continua a ter como garantido que o PCP e o Bloco vão votar o orçamento favoravelmente – no que, aliás, é seguido por todos os comentadores políticos. E acabaria pior proferir uma curiosa ‘declaração de amor’: “a geringonça está não só no nosso coração como na nossa cabeça: estamos com a mesma determinação com que a começamos a construir com os Verdes, PCP e BE. Com humildade e sem duplicidade”.

 

E sobre o orçamento?

Pouca coisa – nem seria de esperar mais: haverá um programa de estímulo fiscal; apoio à mobilidade familiar no acesso à habitação e à educação para promover o regresso de emigrantes; medidas para lançar um investimento de 1,5% do PIB em investigação e desenvolvimento (e 3% do PIB em 2030); e “teremos em 2019 o maior orçamento de sempre para a cultura”.

 

Que disse a oposição?

Teceu fortes críticas ao estado do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e à falta de investimento da parte do governo no setor (PSD); e queixou-se do aumento dos impostos e das cativações, que permitem maquilhar os números que o Governo insiste em apresentar como reais, não o sendo (CDS). PSD e CDS preocuparam-se em demonstrar que Portugal precisa de uma alternativa a um futuro construído por comunistas e trotskistas, e Assunção Cristas afirmou que é nisso que o seu partido está empenhado. O líder da bancada do PSD, Fernando Negrão, teve uma tirada venenosa: “Augusto Santos Silva colocou a geringonça nos cuidados intensivos”. A bancada aplaudiu de pé, para mais tarde constatar que o ministro dos Negócios Estrangeiros ficou ‘de castigo’ e não fechou o debate (como costumava acontecer) sendo substituído por Pedro Sisa Vieira, ministro Adjunto.

 

Que disseram os outros partidos?

Ensaiaram uma espécie de oposição ténue, em matérias que Costa domina e responde com enorme facilidade. Esta é, aliás a parte mais repetitiva dos debates sobre o Estado da Nação. Mas o ‘prémio’ para ‘a repetição mais repetida’ vai mesmo para o líder da bancada do PS, Carlos César. A frase segundo a qual o PS não se perturba “com o ruído de uma oposição que não tem outro projeto que não o da negação” é uma constante dos seus discursos.

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