Respostas Rápidas: Quem sai beneficiado e prejudicado na ‘guerra’ do aço e alumínio?

Uma medida que poderá valer 49 mil milhões de euros nos cofres da Casa Branca, só no caso da China.

A administração Trump anunciou oficialmente esta sexta-feira que vai mesmo impor taxas alfandegárias sobre o aço e alumínio em produtos importados, como painéis fotovoltaicos ou máquinas de lavar. Uma medida que poderá valer 49 mil milhões de euros nos cofres da Casa Branca, só no caso da China. Mas o que implica esta decisão de Donald Trump? Haverá mesmo guerra comercial?

O que aconteceu?
Após vários tweets de Donald Trump, na sua conta oficial Twitter, a ameaçar iniciar uma guerra comercial com o mundo, como forma de fazer valer a sua já conhecdia política económica protecionista, Robert Lighthizer, porta-voz do Comércio dos Estados Unidos (USTR), anunciou esta quinta-feira, no senado, que os EUA vão mesmo aplicar taxas alfandegárias aos produtos estrangeiros que contenham as matéria aço e alumínio. Por enquanto é um imposto suplementar.

Quem terá que pagar as novas taxas alfandegárias?
Por definição, uma taxa, quando aplicada, é aplicada a todos. Contudo, a Casa Branca definiu uma lista de países temporariamente isentos. São eles Austrália, Argentina, Brasil e Coreia do Sul e toda a União Europeia. “A ideia do presidente é que, em função de uma série de critérios, alguns países fiquem de fora”, explicou Robert Lightizer, recordando que os EUA ainda estão a negociar os termos das taxas com alguns países. Para já, “o que foi decidido foi travar a imposição de tarifas relativamente a estes países”.

Portugal sai prejudicado?
Até ver, não. Todas as exportações de aço e alumínio provenientes da União Europeia vão beneficiar de isenções por parte da administração Trump.

E a China?
A China é a grande dor de cabeça de Trump. Embora o 45.º presidente dos EUA considerar Pequim “um país amigo”, facto é que os produtos chineses não vão ficar isentos da taxa aduaneira sobre o aço e o alumínio.

Este agravamento de tarifas à importação de determinados produtos chineses, como painéis fotovoltaicos ou máquinas de lavar pode levar cerca de 48,7 mil milhões de euros para o cofre dos EUA.

“As ações do Presidente [ao impor tarifas às importações da China] deixam, claro, mais uma vez, que o Governo Trump sempre irá defender os trabalhadores norte-americanos”, afirmou Robert Lighthizer.

Qual o valor das tarifas?
Os termos do novo imposto ainda não estão definidos. Mesmo assim, para as máquinas de lavar vindas da China para os EUA, está previsto um agravamento das tarifas de 20% a 50%, para os próximos três anos. Já quanto aos painéis fotovoltaicos, o agravamento pode prolongar-se pelos próximos quatro anos, com um aumento de 30% no primeiro ano, que pode descer até 15% no último ano. Estas tarifas sobre os painéis solares e máquinas de lavar produzidas na China terão validade por um período que se pode prolongar pelos próximos quatro anos.

O que está em causa?
Este é mais um episódio a acentuar a política económica protecionista adotada pela atual administração norte-americana na Casa Branca. De acordo com Lightizer, Washington acredita que a importação massiva dos produtos em matéria de aço e alumínio está “a prejudicar seriamente a indústria nacional”. A questão é que a imposição de tarifas, ainda que alguns países fiquem isentos, pode lançar o caos nos mercados. Ainda para mais, quando os EUA são o símbolo máximo do mercado aberto e do livre comércio.

Haverá guerra comercial?
Com o anúncio de Lighthizer, o cenário não é descabido. De acordo com a Reserva Federal dos EUA (Fed), que continua confiante sobre as perspetivas de crescimento da economia norte-americana, há uma nuvem no horizonte: os potenciais impactos das tarifas às importações. O risco de guerra comercial é agora proeminente.

Na quarta-feira, Jerome Powell, o novo presidente da Fed, tomou um discurso otimista, após a primeira reunião da Fed sob a sua liderança. Mas, quando respondeu a perguntas sobre as medidas que Donald Trump impôs na politica comercial, afirmou: “O que os participantes da reunião [do comité de política monetária] discutiram foi que é um novo risco que até agora tinha sido provavelmente um risco de perfil baixo e tornou-se agora um risco proeminente para o outlook económico”,

Mesmo assim, Powell garantiu que as alterações promovidas por Trump não têm qualquer efeito, para já, mas adiantou: “vários participantes relataram as conversas que tiveram com líderes empresariais e que estes expressaram que o tema tornou-se num motivo de preocupação em relação ao crescimento”.

 

 

 

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