Ricardo Robles renuncia ao cargo de vereador da Câmara de Lisboa

A decisão de renunciar ao cargo surge depois de o Jornal Económico ter avançado que o bloquista comprou um prédio em Alfama por 347 mil euros e tentou vender por 5,7 milhões.

Cristina Bernardo

Ricardo Robles renunciou esta segunda-feira ao cargo de vereador do Bloco de Esquerda (BE) da Câmara Municipal de Lisboa. A decisão surge depois de o Jornal Económico ter avançado que o bloquista comprou um prédio em Alfama por 347 mil euros e tentou vender por 5,7 milhões.

Em comunicado, Ricardo Robles explica que a decisão de renunciar ao cargo de vereador foi comunicada no domingo à Comissão Política do BE, “com o objetivo de criar as melhores condições para o prosseguimento da luta do Bloco pelo direito à cidade”.

“Uma opção privada, forçada por constrangimentos familiares que expliquei e no respeito pelas regras legais, revelou-se um problema político real e criou um enorme constrangimento à minha intervenção como vereador”, explica o bloquista.

Uma investigação feita pelo Jornal Económico veio revelar que Ricardo Robles, juntamente com a irmã, comprou em 2014, um velho edifício de três pisos à Segurança Social. Os dois irmãos pagaram pelo imóvel, situado na Rua do Terreiro do Trigo, uma zona privilegiada de Alfama, 347 mil euros.

Depois disso, investiram 650 mil euros em obras e chegaram a concordo com a maioria dos inquilinos para rescindir os contratos de arrendamento. No final de 2017, com o edifício reabilitado e com mais um andar, foi avaliado em 5,7 milhões de euros.

Eis o comunicado na íntegra:

“Informei ontem, domingo, a coordenadora da Comissão Política do Bloco de Esquerda da minha intenção de renunciar aos cargos de vereador na Câmara Municipal de Lisboa e de membro da comissão coordenadora concelhia de Lisboa do Bloco de Esquerda.

Uma opção privada, forçada por constrangimentos familiares que expliquei e no respeito pelas regras legais, revelou-se um problema político real e criou um enorme constrangimento à minha intervenção como vereador.

Esta é uma decisão pessoal que tomo com o objetivo de criar as melhores condições para o prosseguimento da luta do Bloco pelo direito à cidade.”

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