Roland Berger vai assessorar SCML no Montepio

A consultora foi escolhida para analisar a entrada da Santa Casa no banco, mas ainda não fechou contrato. O valor de 10% do banco é 217 milhões.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) está em contatos com a consultora Roland Berger, liderada por António Bernardo, para a contratar como consultora na operação Montepio, soube o Jornal Económico junto de fonte ligada ao processo.

Pedro Santana Lopes, provedor da Santa Casa, tinha admitido à SIC que, para saber se investir na Caixa Económica é um bom negócio, “contratámos consultores, auditores, assessores jurídicos, financeiros (ainda não estão todas as contratações completas) que estão a analisar e elaborarão um trabalho que depois nós estudamos, e com base nesse trabalho decidimos. É preciso fazer uma due-diligence”. A auditora poderá ser a PwC, mas não foi possível confirmar.

O provedor disse que o processo está ainda numa fase inicial, “é preciso tempo para tomar uma decisão”. “Mas eu não ponho a Santa Casa em risco”, explicou Pedro Santana Lopes. Ao mesmo tempo que adiantou que “ainda nem tivemos uma reunião com quem quer vender a participação no Montepio [Associação Mutualista]. Eu nunca reuni com Tomás Correia”, reconheceu.

Lembrou ainda que há vários bancos interessados no Montepio.

A Santa Casa já admitiu que, como entidade do terceiro setor, tem obrigação de estudar a proposta, que vem das autoridades (Governo, presidente da República e supervisor) de pôr a Santa Casa como acionista da Caixa Económica Montepio Geral. Mas “só entramos se for um projecto que envolva a generalidade do terceiro setor”, disse o provedor que admitiu já ter falado com o presidente da União das Misericórdias. Em causa está uma participação conjunta (SCML e outras entidades da economia social) em 10% do Montepio Geral.

De que investimento estamos a falar? Uma vez que a Associação Mutualista tem 285 milhões de unidades de participação (UP) de um fundo que participa no Montepio e 115 milhões estão dispersos em bolsa, na passagem a Sociedade Anónima, a Associação fica com 94,7% e os outros investidores ficam com 5,3%. Como a conversão das UP cotadas é de um para um, se 115 milhões são 5,3%, 10% representa um investimento de 217 milhões de euros. Mas o valor do negócio com a SCML dependerá de negociações e o preço final deverá ter como referência o book-value.

O Primeiro-Ministro disse ontem que “o Governo não tem nada a opor à entrada da Santa Casa no Montepio. Temos a certeza que o Senhor Provedor fará a avaliação devida antes de tomar uma decisão”, disse António Costa sublinhando que o Governo mantém um contacto regular com Santana Lopes.

O provedor da Santa Casa disse ainda que gostava que existissem mais bancos com capitais portugueses, e daí o interesse em estudar a operação. Mas “não ponho a Santa Casa em risco. Isso está fora de questão. Se for considerado um risco excessivo, não entramos”, disse. “A Santa Casa tem resultados como nunca teve, para investir nos seus projectos sociais”, acrescentou dizendo que “tem disponibilidades financeiras consideráveis”, e por isso “pode fazer sentido encontrar formas de investimento dos ativos mais rentáveis, porque hoje, como se sabe, os depósitos têm taxas muito baixas, mas a instituição não entra no Montepio se o risco for incomportável”.

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