Seguradoras afirmam que “correm menos riscos” de lavagem de dinheiro do que os bancos

O presidente da Associação Portuguesa de Seguradores, José Galamba de Oliveira, afirma que não basta ter sistemas de software adequados e procedimentos definidos para mudar a estrutura de uma organização em termos de compliance: “É preciso mudar comportamentos de cima para baixo”, afirma.

Cristina Bernardo

O presidente da Associação Portuguesa de Seguradores (APS) disse esta quarta-feira que não é suficiente as organizações terem sistemas de software de análise de risco adequados e procedimentos definidos para conseguirem mudar a sua estrutura em termos de compliance.

“É preciso mudar comportamentos de cima para baixo. [A prevenção e a deteção do branqueamento de capitais] não é um tema novo para este setor, mas obviamente que a nova diretiva traz um aprofundar de situações e de temas importantes para o setor segurador e bancário”, explicou José Galamba de Oliveira, na 2ª conferência internacional promovida pelo Observatório Português de Compliance e Regulatório (OPCR).

O porta-voz das seguradoras argumentou que estas empresas correm “menos riscos em termos destas práticas, porque estes produtos financeiros entram no sistema bancário, enquanto o segurador tem outros filtros” e realçou que deve haver uma “adaptação aos requisitos mínimos em termos de compliance”.

Por outro lado, Paulo Figueiredo, administrador executivo do Banco de Investimento Global (BiG) garantiu que “cultura é essencial e o modelo mais intangível e aquele que não consegue ser copiado de uma organização”, quando questionado sobre como é que a banca pode acautelar sobre práticas incorretas e proteger um colaborador.

Paulo Figueiredo acredita que Blockchain pode ter ser positiva para a análise de fluxos financeiros. “Somos um banco tecnológico, por isso, vemos com bons olhos a aplicação da tecnologia a todos os problemas que nos surgem (…). [O compliance] faz parte e deve fazer parte do funcionamento natural dos bancos, que têm a obrigação de cumprir escrupulosamente com este tipo de regulação”, assegurou o representante do BiG.

Na mesa redonda sobre o “impacto do combate ao branqueamento nas organizações”, moderada por Filipe Alves, diretor d’O Jornal Económico, Pedro Lino, presidente do conselho de administração da Dif Broker e membro da direção do OPCR, lembrou que ainda “há muito trabalho pela frente”. “Vamos ter sempre uma sociedade e um setor financeiro dividido entre os segmentos de regulação, a tecnologia e as necessidades da população, que está a envelhecer”, disse, na mesma conferência, no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa.

Ler mais
Relacionadas

Observatório de Compliance e Regulatório lança programa de ‘mentoring’

A organização apresentou esta quarta-feira, em primeira mão, o novo programa de orientação para universitários e ‘new joiners’ na área de Compliance.

Observatório de Compliance: “Entidades de supervisão devem trocar mais informação entre si”

A 2ª conferência internacional sobre prevenção e deteção do branqueamento promovida pelo Observatório Português de Compliance e Regulatório realiza-se esta quarta-feira, 21 de março, e conta com o apoio do Jornal Económico. “Compliance não é cumprir normas, ultrapassa negócios e parcerias”, lembra Pedro Bobião, da Moody’s Analytics.

DBRS expande-se na Europa com novo escritório na Alemanha

Agência de rating canadiana anunciou a abertura de um escritório em Frankfurt como um passo adicional para fortalecer sua presença na Europa. Depois de Londres, é o segundo escritório que vai abrir na Europa Continental.
Recomendadas

Portugal é o mercado externo mais atrativo para as sociedades de advogados de Espanha

Portugal é visto como um lugar prioritário e de elevado crescimento para as sociedades de advogados do país vizinho, em especial os da área jurídica, com as cidades de Lisboa e Porto a serem as mais procuradas.

Indico Capital captou 1,1 milhões de euros para a EatTasty com assessoria da Cuatrecasas

A Cuatrecasas assessorou a Indico Capital Partners no fecho de uma ronda de investimento seed (fase inicial) para a startup EatTasty, no valor de 1,1 milhões de euros.

Novas regras no sector imobiliário

Assiste-se a um aumento da burocracia e da responsabilidade das “Entidades Imobiliárias” que se vêem obrigadas elas próprias a promover o controlo e prevenção do branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo.
Comentários