Segurança Social: Suspeitos cobravam 10 mil euros por imigrante

Falsificação de documentos na Segurança Social já fez 12 detidos. PJ já localizou perto de um milhão de euros nas contas bancárias dos funcionários detidos e 50 mil euros em dinheiro, encontrados durante as buscas.

Seis funcionários do Núcleo de Gestão do Cliente do Instituto da Segurança Social falsificavam, em apenas alguns minutos, números de beneficiários em prol de imigrantes ilegais, vindos do sudoeste asiático, que nunca trabalharam em Portugal.

O procedimento parece simples: o grupo de funcionários alterava o registo dos imigrantes na base de dados da Segurança Social, colocavam os imigrantes como trabalhadores em Portugal há já alguns anos e com contrato legal. Para finalizar, o processo de autorização de residência no país era selado, avança o jornal Expresso.

Conforme avançou a Polícia Judiciária (PJ), em comunicado, “o modus operandi consistia na manipulação do sistema informático da Segurança Social, por meio da criação e alteração de registos na base de dados, atribuindo números de identificação da segurança social fraudulentos a cidadãos estrangeiros”, cita o mesmo jornal.

Não se tratando de um esquema solidário, assim que os imigrantes arranjavam trabalho, eram obrigados a entregar uma elevada parte dos seus salários, em forma de pagamento dos serviços ilegais. Conforme relata o jornal, os funcionários tinham a ajuda de redes de tráfico espalhadas por países como a Índia, o Paquistão, o Nepal e o Bangladesh, e cobravam cerca de 10 mil euros por cada cliente, considerando que foram perto de 500 os imigrantes “auxiliados”.

No entanto, a Polícia Judiciária recebeu uma denúncia vinda da Segurança Social, tendo a Unidade Nacional de Combate à Corrupção detido, esta terça-feira, o grupo de funcionários fraudulentos, juntamente com mais seis estrangeiros, por “crimes de corrupção passiva e ativa para ato ilícito, abuso de poder, falsidade informática e falsificação de documentos”.

Sob “Operação Social Number”, que levou a cabo 26 buscas domiciliárias e 22 não domiciliárias, incluindo empresas, a PJ localizou perto de um milhão de euros em contas bancárias dos funcionários detidos e 50 mil euros em dinheiro, encontrados durante as buscas.

“Estamos a falar de traficantes de pessoas e de redes de associação criminosa transnacional de apoio à imigração clandestina com vários intermediários”, salientou fonte da PJ.

Os suspeitos vão apresentar-se perante um juiz, mas a investigação da Unidade Nacional de Combate à Corrupção ainda não foi terminada.

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