Sem desculpa

Os últimos três anos ficarão marcados como anos de chumbo na vida dos portugueses, mas para o Governo e para quem ainda o defende, as últimas semanas, essas, serão absolutamente inesquecíveis pelos desastres que se sucederam: o colapso do sistema de colocação de professores deixou à vista a verdadeira face do gabinete do Ministro da […]

Os últimos três anos ficarão marcados como anos de chumbo na vida dos portugueses, mas para o Governo e para quem ainda o defende, as últimas semanas, essas, serão absolutamente inesquecíveis pelos desastres que se sucederam: o colapso do sistema de colocação de professores deixou à vista a verdadeira face do gabinete do Ministro da Educação; o caos na plataforma Cítius da Justiça comprometeu, para sempre, a arrogada capacidade da Ministra da Justiça. Estes desastres, de dimensão totalmente inédita e que dominaram a atualidade da vida de centenas de milhares de portugueses em setembro e outubro, vieram, acima de tudo, pôr a nu aquilo que há muito vinha sendo denunciado no

Parlamento, no comentário político ou no espaço público: a profunda incompetência do Governo de Passos Coelho.
Julgo que não há pior julgamento do que este: incompetência! Pode-se evidentemente governar num sentido que seja considerado errado por quem pense politicamente diferente; pode-se até cometer erros de julgamento, erros políticos, erros de governação, só não erra quem nada faz. Mas errar por não dominar os instrumentos para a aplicação das medidas criadas pelos próprios, é algo que até agora nunca tínhamos visto.

Isto diz quase tudo sobre a qualidade dos governantes que temos. Quase tudo, porque ainda há mais: refiro-me à falta de respeito pelos portugueses, pela oposição parlamentar e pela verdade. Há regras a que os Governos estão obrigados (por ex., o Governo, constitucionalmente, responde politicamente perante a Assembleia da República), outras, que são honradas pelos homens de bem. Pois, na verdade, são incontáveis as perguntas orais ou escritas, a ministros ou secretários de Estado, que ficam sem resposta no Parlamento. São incontáveis os documentos que são solicitados para escrutínio, quer pela oposição quer pela comunicação social que são arrogantemente recusados; são incontáveis as afirmações públicas feitas por alguns destes governantes, incluindo o primeiro-ministro (já nem me refiro às que foram feitas em campanha eleitoral), que são desditas tempos depois pelos próprios, sem que estes, sequer, enrubesçam ou titubeiem – veja-se os casos recentes das declarações de Passos Coelho e de Maria Luís Albuquerque sobre a alegada proteção dos contribuintes à implosão do BES: foi dito, de todas as formas e replicado por todos os comentadores satélites do Governo, que, “desta vez, não haveria custos para os contribuintes”. Agora assume-se, com incrível ligeireza, pelo mesmo primeiro-ministro, que afinal não será bem assim. Sem pedir desculpa. Porque já não há desculpa.

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