SIBS contactada por 50 potenciais investidores

50 entidades mostraram interesse pela SIBS, dona do multibanco. Entre os interessados estão o Bain e a Redsys, que gere o “multibanco” espanhol.

O fundo britânico Bain Capital e a gestora de sistemas de pagamento espanhola Redsys – que gere o “multibanco” espanhol – estão entre os potenciais investidores na SIBS, apurou o Jornal Económico junto de fontes dos mercado. A empresa gestora da rede Multibanco está à procura de um investidor estratégico e no último ano e meio foi sondada por cerca de 50 potenciais investidores, incluindo ‘players’ do setor como a Redsys, fundos e ‘fintechs’.
A Redsys, detida pelo Santander e pelo CaixaBank, é a congénere espanhola da SIBS, sendo considerada uma candidata natural à compra da gestora da rede Multibanco. Já o Bain Capital é um fundo que já adquiriu várias empresas europeias do setor. O Jornal Económico contatou fontes oficiais da Bain Capital e da Redsys, mas até ao fecho não foi possível obter esclarecimentos.

Também a SIBS não quis comentar a informação, porque o processo de abertura do capital ainda está na fase de contratação do assessor financeiro e só mais tarde serão avaliados os parceiros estratégicos que irão ao encontro dos objetivos traçados pelo grupo.

Na semana passada, a SIBS, que é detida pelos principais bancos que operam em Portugal, anunciou que vai mandatar o Deutsche Bank para procurar um investidor estratégico. Num encontro com jornalistas em Lisboa, o presidente da empresa, Vítor Bento, revelou que o objetivo da SIBS é encontrar um parceiro que traga a capacidade de investimento necessária para iniciar uma nova fase de crescimento internacional, colocando a empresa ao nível dos seus pares europeus.

A SIBS espera ter a operação concluída até ao final do ano, mas os moldes exactos da operação – venda de parte ou da totalidade da empresa ou aumento de capital – ainda não estão definidos.

Uma “cooperativa” da banca

A SIBS funciona desde a sua fundação como uma “cooperativa” detida pelo conjunto dos bancos portugueses. Este modelo suportou o crescimento da empresa e a expansão da rede Multibanco, mas coloca-a em desvantagem face aos outros ‘players’ europeus.

A aquisição do negócio de ‘acquiring’ da Unicre, que está neste momento a ser analisada pela Autoridade da Concorrência, é outro passo necessário para a internacionalização da SIBS, defendeu Vítor Bento. “Outros ‘players’ europeus têm esse negócio e não houve obstáculos a nível de concorrência”, acrescentou.

Vítor Bento lamenta que a SIBS esteja no que considera ser uma situação de “desvantagem” face aos novos concorrentes que estão a entrar no mercado nacional, com a instalação de terminais ATM.

“A SIBS nunca teve medo da concorrência. Costumo dizer que a eficiência é a nossa principal barreira defensiva. Mas neste momento há uma barreira que nos coloca em desvantagem face a marcas internacionais que estão a entrar no mercado português. Porque a atual legislação impede os bancos de cobrarem a utilização das caixas multibanco”, disse Vítor Bento.

“Os bancos suportam esses custos e não podem dizer ao cliente quanto custa ele utilizar esta ou aquela máquina. No caso da rede Multibanco, como os bancos são todos membros da rede, a situação fica equilibrada. No caso das marcas internacionais, o custo para o banco é superior, mas o cliente não chega a saber isso porque a lei proíbe a cobrança. Isto permite que as marcas internacionais sejam mais rentáveis, defendeu.

Ler mais
Recomendadas

Inovação e empreendedorismo

Há que aplicar as novas tecnologias à cadeia de valor de uma empresa para que esta possa fornecer a melhor resposta ao cliente, conhecendo e focando-se nas necessidades que este tem. Neste ponto as startups representam uma mais-valia.

CGD avalia ações contra gestores que aprovaram crédito a Vale do Lobo

Advogados da CGD estão a avaliar ações cíveis contra gestores da administração de Santos Ferreira que deram ‘luz verde’ a operação Vale do Lobo. Parecer é entregue após o verão para decisão final.

JP Morgan bem posicionado para liderar entrada em bolsa da WeWork

Dona da WeWork vai emitir obrigações até seis mil milhões de dólares e fontes próximas da empresa revelaram que a instituição financeira que montar esta operação poderá ter papel ativo na entrada em bolsa da WeWork.
Comentários