Sindicato dos Quadros e Montepio concluem negociações para Acordo Coletivo

Sindicato dos Quadros dá congelamento salarial até 2017 em troca de cortes salariais no banco, pelo período de 3 anos, que era o pretendido pela instituição.

O Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB) e o Montepio Geral assinaram um Acordo de Empresa.

A intenção inicial do Montepio passava por uma redução salarial, pelo período de três anos, para a generalidade dos trabalhadores, medida que veio a ser, logo de início, liminarmente rejeitada pelo SNQTB, liderado por Paulo Marcos, tendo em substituição daquela medida sido acordado o congelamento salarial circunscrito até 31 de dezembro de 2017.

“Simultaneamente, obteve-se o acordo num conjunto alargado de outras matérias, tais como a atribuição de um subsídio complementar infantil e de estudo, subsídio de apoio familiar e social de alojamento, em termos e condições a definir anualmente pelo Montepio; subsídio de apoio à natalidade pelo nascimento ou adoção de filhos; complemento de mérito, que passa inequivocamente a ser pensionável; Seguro de saúde para os trabalhadores e reformados, nos termos e condições definidos anualmente pelo Montepio”, avança o Sindicato em comunicado.

Foi ainda acordado não recorrer ao despedimento coletivo até 31 de dezembro de 2017, ao contrário do que foi a intenção demonstrada pelo Montepio com o pedido formalizado ao Ministério de estatuto de empresa em restruturação.

Também foi acordado fixar a idade de reforma em 66 anos e 3 meses em 2017 e 66 anos e 4 meses em 2018, em contraposição à indexação proposta em base automática, atenuando impactos negativos no Fundo de Pensões ainda no exercício de 2016. E ainda ficou definido ponderar uma eventual distribuição extraordinária de resultados aos trabalhadores, em 2018 e 2019, até ao montante de 5% dos resultados positivos obtidos no ano de distribuição, como forma de compensação pelo congelamento salarial; para além de o banco realizar um estudo, até 31 de Dezembro de 2017, “de planeamento remuneratório com vista a pugnar pela equidade salarial no Montepio, vertida numa única tabela salarial base e criar uma Comissão Paritária composta por igual número de representantes dos sindicatos e do Montepio, com vista à análise individual da eventual ilicitude e injustiça social da retirada unilateral dos subsídios de isenções de horário de trabalho”, diz o comunicado.

Com este acordo “concluindo-se um longo processo negocial, iniciado ainda em 2012 junto das várias instituições de crédito e de que resultou a assinatura do ACT da Banca, e desde setembro deste ano apenas com os representantes sindicais e os da Caixa Económica Montepio Geral, Montepio Crédito e Montepio Valor no seguimento da indisponibilidade deste grupo financeiro para subscrever este ACT”, diz o Sindicato.

Para Paulo Marcos “este foi o acordo possível numa conjetura muito desfavorável que persiste no sector financeiro e em que houve a necessidade de marcar uma forte posição de defesa dos trabalhadores do Montepio, atento o caminho escolhido pelo seu Conselho de Administração de se demarcar da assinatura do Acordo Coletivo para o setor bancário”.

O Presidente do SNQTB diz ainda que “para nós, era muito importante evitar alterações ou eliminações dos benefícios existentes, ainda que reconhecendo a importância de chegar a um acordo particular com esta entidade que potenciasse a sua sustentabilidade. A título de exemplo, negociou-se a fixação razoável da idade da reforma, de modo a evitar impactos prejudiciais no Fundo de Pensões da Instituição”.

Ler mais
Relacionadas

Plano de ação do Montepio para 2017 aprovado por unanimidade

Entre os objetivos para o próximo ano estão “assegurar a sustentabilidade e reforçar os níveis de capital e liquidez” e ainda melhorar a eficiência, nomeadamente através da otimização da “rede comercial e serviços centrais” e da redução dos custos com fornecimentos e serviços externos.

Acionistas do Montepio devem aprovar hoje plano para 2017

Esta quarta-feira, os acionistas da Caixa Económica Montepio Geral deverão aprovar o programa de ação e orçamento para 2017, em que o banco mutualista se propõe a melhorar rácios de capital e liquidez e a reduzir custos.

Montepio interessado em financiar veículo que compensará lesados do BES  

A revelação foi feita ao Jornal Económico por Luís Miguel Henrique, advogado da Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial do BES (AIEPC).
Recomendadas

Inovação e empreendedorismo

Há que aplicar as novas tecnologias à cadeia de valor de uma empresa para que esta possa fornecer a melhor resposta ao cliente, conhecendo e focando-se nas necessidades que este tem. Neste ponto as startups representam uma mais-valia.

CGD avalia ações contra gestores que aprovaram crédito a Vale do Lobo

Advogados da CGD estão a avaliar ações cíveis contra gestores da administração de Santos Ferreira que deram ‘luz verde’ a operação Vale do Lobo. Parecer é entregue após o verão para decisão final.

JP Morgan bem posicionado para liderar entrada em bolsa da WeWork

Dona da WeWork vai emitir obrigações até seis mil milhões de dólares e fontes próximas da empresa revelaram que a instituição financeira que montar esta operação poderá ter papel ativo na entrada em bolsa da WeWork.
Comentários