Só o Canadá e o México vão ficar livres das “tarifas que ameaçam o comércio”, diz relatório

Previsões apontam que as novas tarifas sugeridas pelos Estados Unidos sobre as importações de aço e alumínio podem conduzir a uma guerra comercial global.

Jim Bourg/REUTERS

O mais recente relatório da Crédito y Caución, empresa seguradora de crédito, alerta para a possibilidade da imposição de tarifas sobre as importações de aço e alumínio pelos Estados Unidos conduzir a uma guerra comercial a médio prazo.

A previsão aponta ainda que “o impacto económico global das medidas em si mesmas é limitado”, mas “a Administração dos Estados Unidos parece estar liberta de quaisquer restrições quanto a futuras ações protecionistas. É por isso que as tarifas de Trump ameaçam o comércio”.

A introdução de tarifas sobre o aço e o alumínio implicará numa perda pouco significativa em termos do PIB para os Estados Unidos. Por outro lado, a quebra na produção das empresas americanas que utilizam tais produtos como matéria-prima não serão compensadas pelos lucros das empresas nacionais produtoras.

A seguradora aponta o Canadá e o México como os principais beneficiários da situação, que estão isentos de tarifa até que as renegociações do NAFTA sejam concluídas.

“A verdadeira ameaça reside no facto destas medidas serem o prelúdio para uma guerra comercial global, em especial agora que os assessores do Presidente dos Estados Unidos com fortes convicções protecionistas ganharam a partida. Antevê-se um novo cenário comercial”, afirma o relatório.

China domina o mercado mundial do aço e do alumínio

Além de ser responsável por 50% dos 1.687 milhões de toneladas de aço que se produzem no mundo anualmente, a China também representa 44% do consumo global.

Sobre o alumínio, a economia chinesa foi responsável por 54% dos 63 milhões de toneladas produzidas em 2017.

A China já anunciou fortes medidas para proteger os seus interesses se os Estados Unidos de facto impuserem as tarifas de importação.

Guerra Comercial?

O relatório indica que a Administração dos Estados Unidos anunciou a disponibilidade para negociar isenções com países que não sejam o Canadá, México e Austrália, e com empresas individuais. Em todo caso, é esperado que os parceiros comerciais sujeitos a tarifas de importação antecipem-se e também imponham represálias.

É ainda provável que o governo dos Estados Unidos proponha medidas protecionistas mais generalizadas. Isto pode desencadear uma séria de medidas compensatórias adicionais por parte dos seus parceiros comerciais, o que poderia terminar numa guerra comercial.

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