“Somos dos países europeus que menos lê e isso obviamente é uma preocupação”

Diretora de Comunicação da FNAC, Inês Condeço, fala sobre as diferenças de consumo de livros em Portugal comparado com os países europeus e salienta a aposta do grupo no livre acesso a iniciativas culturais.

Cristina Bernardo

– Como estão os hábitos de consumo de bens culturais dos portugueses?

Infelizmente podiam estar um pouco melhor. Nós somos dos países europeus que menos lê e isso obviamente é uma preocupação para nós, tal como deveria ser para todos. É um tema que temos que resolver e em conjunto criar um movimento para fomentar a leitura. Por outro lado, por exemplo, no que se refere a festivais, ou seja, um outro lado mais experiencial da cultura, já não é tanto assim. Somos dos países que mais tem apetência para aderir. Os hábitos têm muito que ver com estas duas velocidades: a leitura e depois a experiência de festival que é diferente.

– Qual deve ser a estratégia para mudar essa tendência?

Não é fácil. São coisas que são estruturais e também não é nossa ambição mudar o mundo. Obviamente que queremos dar o nosso contributo e temo-lo tido. Desde que a FNAC veio para cá, há vinte anos, o desígnio que teve foi o livre acesso à cultura. A facilidade com que é possível pegar num livro e descobrir um novo autor, através de uma oferta extensíssima. E depois a facilidade em contactar com o autor que permite criar outro tipo de ligação com a literatura.

– Existe maior recepitividade e aderência do público a estas iniciativas do que existia por exemplo há alguns anos?

Acho que sim. Acho que a internet nesse aspecto trouxe uma grande abertura de mentalidades e temos que ter essa capacidade de acompanhar essas mudanças. Queremos realmente aproximar a cultura das pessoas. A FNAC tem uma coisa que é o “movimento cultural diário”. Se eu for à FNAC, sei que encontro alguma coisa. Temos sempre os lançamentos das editoras quer de livros quer de músicas ou por exemplo as nossas talks. E essa higienização cultural que nós fazemos é importante. Em termos de eventos estamos sempre a tentar inovar. Por exemplo, temos uma iniciativa que é o “Ver o Mundo com outros olhos”, que tem muito a ver com isso, que é assinalar o quanto a cultura pode mudar o mundo. Influenciar as pessoas por obras, por músicos, por autores. Conseguirem com isso criar inspiração, criarem as suas próprias ideias e portanto o que fizemos foi pegamos em 400 livros, em 400 cds, em 400 vinis, fizemos uma instalação com uns olhos gigantes no Village Underground e este é o caminho que queremos percorrer.

– Qual é o perfil médio do consumidor da FNAC?

Nós temos diferentes perfis. A média são pessoas que compram entre três a seis livros por ano, o que é baixo comparado com outros países europeus. Em Portugal, um leitor voraz lê 12 livros, em França lê 60.

– Comparando com a média europeia são diferenças significativas.

E isto mesmo no topo da curva. É um hábito cultural que é trabalhado ao longo de décadas. A leitura em Portugal nem sempre foi de livre acesso. Há aqui um trabalho profundo a fazer. O que é engraçado é que o livro físico continua a ser o preferido dos portugueses. Ou seja, é um mercado estável. Podíamos estar a perder leitores, como no caso da música em que as pessoas deixaram de ouvir CDs para passar a ouvir digital ou vinil. Que são quase dois extremos da forma de ouvir música. Está a registar-se um grande aumento das vendas de vinil. Portanto, as pessoas não deixaram de ouvir música. No caso dos livros, é diferente.

– Existe uma maior importação do que exportação da cultura em Portugal?

Sim, ainda se lê muito livros estrangeiros embora nos últimos anos tenha proliferado o número de autores portugueses e bem e a ganhar prémios internacionais, o que também ajuda a exportar a cultura portuguesa. Mas sim, o peso da literatura estrangeira continua a ser muito significativo.

– E da música também?

Sim. Mas é engraçado que na música temos um peso nos últimos anos apesar de tudo virou o consumo de música portuguesa. Já não há aquele desequilíbrio de 90/10 que existia anteriormente.

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