Sustentabilidade no investimento: menos risco, mais valor

Reduzir a quantidade de plásticos descartáveis ou viajar de comboio são duas formas de reduzir a nossa pegada ecológica. E no investimento, o que podemos fazer para reforçar a sustentabilidade?

De tão falada e repetida, a sustentabilidade entrou nas nossas vidas e tornou-se num dos temas do momento, mas enquanto investidores, será que estamos a fazer escolhas sustentáveis? Vale a pena incluir mais sustentabilidade nos nossos portefólios?

Quando aplicamos o conceito de sustentabilidade ao investimento, podemos dizer que ele representa investir no presente a pensar no futuro ou integrar no nosso portefólio um conjunto de empresas às quais hoje reconhecemos valor e que reúnem as melhores condições para preservar este valor no futuro.

O valor que importa conhecer não se limita ao relevado por indicadores financeiros ou contabilísticos e está intrinsecamente ligado à forma – responsável, justa e equitativa – como uma empresa se relaciona com o ambiente e com os seus vários interlocutores: clientes, colaboradores, fornecedores, acionistas, reguladores e sociedade em geral.

Ao contrário de que alguns ainda podem pensar, as empresas que lideram as melhores práticas ambientais, sociais e de governança mostram-se tipicamente mais coesas e melhor preparadas para inovar e responder aos desafios do mundo atual, tendem a ser preferidas por quem com elas se relaciona e a estar menos suscetíveis a escândalos, riscos e imprevistos que ponham em causa o seu valor e o seu futuro.

Como identificá-las?

Identificar estas empresas implica conhecê-las e, inclusive, estar envolvido nas suas decisões. Foi esta a visão que nos levou a criar uma equipa dedicada à sustentabilidade, que se relaciona diretamente com o universo de empresas nas quais estamos investidos, em 57 países.

Num só ano, esta equipa teve mais 1750 interações com empresas e votou em muitas das suas assembleias gerais, contribuindo para decisões que permitam preservar ou reforçar valor sustentável.

Este escrutínio direto e aprofundado traz-nos um conhecimento que vai muito além daquele que é fornecido pelos índices ou ratings de terceiros e usamo-lo para sustentar decisões de investimento de forma transversal em todas as classes de ativos.

Escrutínio compensa

Não faltam exemplos de como este escrutínio compensa na identificação das empresas mais sustentáveis para investir.

O caso da PG&E ilustra bem como a sustentabilidade é demasiado importante para ignorar, neste caso para prevenir a perda de valor: em junho de 2018, identificámos algumas fraquezas neste grande fornecedor californiano de gás e eletricidade. Entre outras razões, preocupavam-nos algumas práticas de governação e o pobre historial de segurança das suas linhas elétricas.

Dois meses depois, alienámos a nossa posição. Em outubro, deflagrou o mais destrutivo incêndio da história da Califórnia e rapidamente a PG&E foi acusada de estar na sua origem. O valor dos danos e das indemnizações em causa excedem em muito o valor da empresa, o que a levou a declarar falência no início de 2019.

O ambiente é hoje o principal tema de escrutínio, como demonstram movimentos recentes, como o ‘flight shame’ contra as viagens de avião e a libertação de carbono por elas gerada, em resposta à notícia de que um quarto dos suecos desistira de voar para reduzir a sua pegada de carbono. É a prova de que também os consumidores estão cada vez mais alerta e a penalizar as organizações que não passam no teste público da sustentabilidade.

 

Nota: as empresas mencionadas no artigo são referidas unicamente para efeitos ilustrativos e não devem ser interpretadas como uma recomendação de compra ou venda.

 

Este conteúdo foi produzido em colaboração com Schroders.

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