Terrorismo leva sete países a cortar relações diplomáticas com Qatar

“As medidas são injustificadas e baseiam-se em alegações que não têm razão de ser”, responde o país. As companhias aéreas Ethiad e Emirates suspenderam os voos para Doha.

A Arábia Saudita, o Egito, os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein, o Iémen, a Líbia e as Maldivas puseram fim às suas alianças com o Qatar esta segunda-feira (5), acusando o país de apoiar o terrorismo e abrindo, assim, uma das maiores brechas diplomáticas dos últimos anos entre alguns dos estados árabes mais poderosos.

A notícia foi avançada esta manhã pela agência Reuters, que lembra também que este boicote altera drasticamente os apoios do Qatar à organização islâmica Irmandade Muçulmana e acrescenta acusações de que Doha ainda apoia a agenda do Irão, o principal rival da região. O gigante do petróleo, a Arábia Saudita, acusou o Qatar de apoiar grupos militantes e de transmitir-lhes a sua ideologia.

“[O país] recebe múltiplos grupos terroristas e setoriais que querem perturbar a estabilidade da região, incluindo a Irmandade Muçulmana, o Estado Islâmico e a Al-Qaeda, e promover constantemente mensagens e esquemas desses grupos através de dos seus meios de comunicação”, afirmou a agência estatal saudita, SPA. O comunicado estatal acusa ainda o Qatar de apoiar o que descrevem como sendo “militantes apoiados pelo Irão na região oriental de Qatif e no Bahrein, povoada pelos muçulmanos xiitas”.

O Qatar não emitiu uma reação de forma imediata mas respondeu entretanto, lamentando a decisão que considera ser “injustificada”. “As medidas são injustificadas e baseiam-se em alegações que não têm razão de ser. (…) Não terão qualquer efeito na vida dos cidadãos e residentes”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Qatar, em declarações citadas pela Al Jazeera.

Todas as nações anunciaram ainda a retirada dos diplomatas do Qatar dos seus territórios, a par com planos para cortar as ligações aéreas e marítimas, sendo que a Arábia Saudita deu conta de que pretende encerrar a sua fronteira terrestre com o Qatar, deixando-o o efetivamente isolado do resto da península arábica. Trata-de de um autêntico “sismo diplomático”, 15 dias depois da visita do presidente americano, Donald Trump, a Riade, onde qual pediu aos países muçulmanos para agirem de forma decisiva contra o extremismo religioso.

Na sequência desta medida, as companhias aéreas Etihad Airways, Emirates Airlines e a FlyDubai suspenderam os seus voos para Qatar, com efeitos a partir da próxima terça-feira, dia 6. A transportadora dos Emirados, que deu a informação na rede social Twitter, adiantou em comunicado que “até nova ordem” a interrupção vai manter-se assim e que vai disponibilizar aos seus passageiros visados “outras opções”, incluindo o reembolso total dos bilhetes de avião.

Notícia atualizada às 11h33

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