‘The Truth About Chicken’: Estudo revela “epidemia escondida” na carne de frango

Estudo norte-americanos indica que, há décadas, esta carne tem sido contagiada por suplementos antibióticos que perdem efeito na proteção de bactérias que infectam o organismo. A utilização desenfreada de antibióticos na produção de carnes que se destinam ao consumo humano retirou-lhe as propriedades para combater eficazmente as bactérias, que se tornam “resistentes”.

Existe uma “epidemia escondida” que tem origem em certas carnes que nós comemos e que pode ter consequências graves para a saúde: a resistência antibiótica. Quem lançou o alerta foi a jornalista norte-americana Maryn McKenna no seu livro intitulado “Plucked! The Truth About Chicken”, publicado em 2017.

O livro resulta de uma investigação levada a cabo pela autora sobre a utilização de antibióticos na indústria agro-alimentar, em particular, na produção de frango nos Estados Unidos e no Reino Unido.

A resistência antibiótica ocorre quando um antibiótico perde a sua capacidade de controlar ou de matar bactérias. Dito de outra forma, as bactérias tornam-se resistentes ao tratamento antibiótico e continuam a multiplicar-se dentro do nosso organismo.

Num excerto do livro publicado no site do jornal britânico “The Guardian”, McKenna revela que tudo começou com o surgimento da “agricultura industrializada”, na década de setenta, quando os grandes produtores americanos de frango descobriram que os suplementos antibióticos aceleram o processo de transformação destas aves em carne para consumo humano.

Em 2017, “quase todos os animais, em muitas partes do globo, são criados com recurso a doses diárias de antibióticos, num total de 63.151 toneladas de antibióticos por ano”, avança a autora.

Em consequência, o preço dos frangos baixou drasticamente, tornando-se no tipo de carne mais consumido nos Estados Unidos. O consumo de carne desta ave, por seu turno, tornou-se no maior transmissor de doenças causadas pela alimentação e no impulsionador da resistência a antibióticos,  que McKenna qualifica como “a maior (…) crise de saúde dos nossos tempos”.

De acordo com os dados apurados pela autora, a resistência a antibióticos é responsável por cerca de 700.000 mortes todos anos no planeta. Cerca de 25.000 europeus, 23.000 norte-americanos e aproximadamente 63.000 bebés na Índia sucumbem, todos os anos, por causa desta epidemia. A resistência a antibióticos causa inúmeras doenças que, até 2050, poderão custar à economia mundial cerca de 100 biliões de dólares, entre seguros de saúde, quebra de produtividade e perda de salários.

A autora estima ainda que cerca de 80% dos antibióticos vendidos em território norte-americano e, mais de metade no resto do mundo, são usados em animais. “Animais destinados a tornarem-se em comida para consumo humano bebem água e consomem comida com antibióticos na sua comida”. Acrescenta ainda que “os antibióticos são dados aos animais para ganharem peso mais rapidamente ou para os proteger das doenças” que estão presentes nas condições vulneráveis em que vivem enquanto se “transformam” de animal em carne para consumo humano. “Dois terços dos antibióticos utilizados também são destinados ao tratamento de doenças que afectam o ser humano”.

Tudo somado, o ser humano tem ingerido desde há décadas carne que tem sido “contaminada” por antibióticos que perdem efeito na proteção de bactérias que infectam o nosso organismo.  A utilização desenfreada de antibióticos na nesta indústria retirou-lhes as propriedades em combater eficazmente as bactérias que se tornam “resistentes” e que têm, naturalmente, a propensão para se defenderem dos efeitos dos antibióticos.

“A resistência é uma adaptação defensiva, uma estratégia evolutiva, que permite à bactéria proteger-se contra os antibióticos concebidos para as matar”, conclui McKenna, depois de sugerir que a melhor forma de combater a resistência a antibióticos consiste numa utilização conservadora balizada por uma “dose certa, durante o tempo certo, num organismo que será sempre vulnerável a este medicamento, e apenas por estas razões”.

Como prevenir a ingestão de bactérias resistentes

Apesar dos riscos de ingerirmos carnes com bactérias resistentes, a DECO dá algumas dicas para se proteger desta “epidemia escondida”. São pequenos comportamentos que podem fazer toda a diferença.

Antes de pegar nos alimentos que vai cozinhar, a DECO aconselha que se lavem bem as mãos. Depois, lave também os alimentos, eliminando microrganismos nocivos, especialmente nos alimentos que serão consumidos crus, como as frutas e os legumes.

Enquanto estiver a cozinhar, tenha em mente que a maior parte destes mircrorganismos morrem com temperaturas acima dos 70º e, no caso de reaproveitar as sobras, veja que todas as partes ficam quentes.

Finalmente, evite a “contaminação cruzada”, isto é, um alimento contaminar outro com microorganismos nocivos para a saúde. Para tal, basta lavar bem as mãos, os instrumentos de cozinha e as superfícies onde vai cozinhar – uma boa higiene cuidada pode ajudar bastante.

 

 

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