Tomás Correia: Declarações de Ribeiro Mendes sobre o Montepio “não podem ter sido produzidas na qualidade de administrador”

Fernando Ribeiro Mendes disse ao Expresso que a Caixa Económica chegou a estar em “situação de pré-liquidação”. Tomás Correia responde: “As afirmações alegadamente proferidas e constantes da entrevista (…) não podem ter sido produzidas na qualidade de administrador da Instituição, e repudiam-se por falsas e eventualmente perturbadoras da estabilidade do sistema financeiro”.

O Presidente da Associação Mutualista Montepio Geral respondeu por escrito ao Jornal Económico a questões deixadas em aberto pelo administrador da Associação Mutualista, Fernando Ribeiro Mendes, na entrevista publicada na última edição do semanário Expresso. O assumidamente candidato a presidente da Associação Mutualista, em concorrência a Tomás Correia que deverá recandidatar-se ou patrocinar uma candidatura que defenda o seu projeto, disse ao Expresso que os dois aumentos de capital da Caixa Económica Montepio Geral serviram para evitar a entrada “numa situação de pré-liquidação”.

Tomás Correia, questionado sobre se o banco esteve em risco de resgate? E se esse risco está ultrapassado? Respondeu que “os aumentos de capital ocorridos em março de 2016 e em junho de 2017 correspondem ao normal cumprimento de necessidades regulamentares”.

Recorde-se que em 2016 o Montepio Geral fez um aumento de capital de 300 milhões de euros que foi subscrito pela acionista, a associação mutualista  e em 2017 a CEMG registou um novo aumento de capital no valor de 250 milhões de euros.

Em 2015 a associação subscreveu unidades de participação no valor de 200 milhões de euros.

Tomás Correia disse ao Jornal Económico “que a CEMG nunca esteve na situação descrita [numa situação de pré-liquidação] tendo o Montepio Geral Associação Mutualista (MGAM) cumprido com as exigências regulatórias, como é próprio dos detentores de capital, responsáveis e competentes”.

O presidente da Associação responde ainda ao seu futuro rival na disputa eleitoral de dezembro, que “as afirmações alegadamente proferidas e constantes da entrevista em causa, não traduzem a vontade do MGAM [Associação Mutualista] e não podem ter sido produzidas na qualidade de administrador da Instituição, e repudiam-se por falsas e eventualmente perturbadoras da estabilidade do sistema financeiro”, refere veementemente Tomás Correia.

O administrador da maior acionista do banco diz também ao Expresso que o capital não é suficiente para acomodar o crescimento normal do negócio e as exigências regulatórias, e por isso vai ter de haver um aumento de capital no banco no futuro próximo. O Jornal Económico questionou também Tomás Correia sobre se será necessária a entrada de um acionista de referência no capital do banco? Por exemplo uma entidade da economia social europeia, como sugere Ribeiro Mendes.

O presidente da Associação Mutualista, respondeu que “a CEMG cumpre confortavelmente com os rácios de capital e demais exigências regulatórias”. Cita os indicadores respeitantes ao primeiro trimestre de 2018, “que apresentam um rácio de common equity tier I de 12,9% e um rácio de total capital de 13%”.

Tomás Correia volta a reforçar que “não faz parte dos objetivos do MGAM (Associação Mutualista) dispersar o seu capital, para além de 2%, sendo que esta parcela se destina exclusivamente às instituições portuguesas integrantes do setor da Economia Social. Por conseguinte, as alegadas afirmações sobre a entrada de um qualquer acionista de referência (eventualmente uma entidade da economia social europeia), não se enquadra na estratégia definida para a CEMG, e são completamente destituídas de sentido”, afirma o gestor.

Sobre o fecho de todas as operações com as 50 entidades da economia social, Tomás Correia volta a dizer que “o processo está em vias de conclusão”.

Associados da Mutualista Montepio deliberam hoje sobre as polémicas contas de 2017

Os associados da Associação Mutualista Montepio Geral reúnem-se hoje, às 20 horas, em assembleia-geral, para votar as contas referentes a 2017.

A Associação Mutualista Montepio Geral teve lucros consolidados de 831 milhões de euros em 2017, o que compara com prejuízos de 151 milhões de euros em 2016, segundo o relatório e contas consolidadas do ano passado.

O resultado teve os “contributos favoráveis dos resultados líquidos do Associação Mutualista Montepio Geral, em base individual, de 587,5 milhões de euros e dos resultados líquidos da Caixa Económica Montepio Geral, em base consolidada, de 6,4 milhões de euros”.

A Associação Mutualista Montepio apurou em 2017 um resultado líquido positivo de 587,5 milhões de euros, tendo estes resultados sido apurados em base individual (ou seja, sem incluir os resultados das empresas que a detém). Estes resultados surgem depois de em 2016 terem sido negativos em 251 milhões de euros. Os lucros de 2017 “vêm elevar o capital próprio em base consolidada, passando agora para um valor positivo de 510 milhões de euros”, segundo o comunicado enviado pela Mutualista em março.

A Associação Mutualista Montepio ultrapassa assim a situação de capitais próprios negativos (-251 milhões de euros) apresentada nas contas consolidadas de 2016.

O comunicado referia ainda que, em 2017, a Associação Mutualista Montepio passou a estar sujeita ao pagamento de IRC (imposto sobre os lucros das empresas), por decisão das Finanças após um “pedido de informação vinculativa” da própria associação, isto apesar de manter o estatuto de IPSS – Instituição Particular de Solidariedade Social.

Com essa alteração do regime fiscal, as contas da Associação Mutualista Montepio Geral beneficiaram do impacto de ativos por impostos diferidos. “Em conformidade, a Associação Mutualista Montepio, no cumprimento das normas internacionais de contabilidade, refletiu nas suas demonstrações financeiras o apuramento de ativos por impostos diferidos no montante de 808,6 milhões de euros”, lê-se na informação.

Só estando sujeita a IRC pode a Mutualista beneficiar do reconhecimento dos ativos por impostos diferidos na sua demonstração de resultados.

Esta possibilidade de reconhecimento de créditos fiscais ocorre depois da Associação Mutualista ter recebido luz verde da Autoridade Tributária para deixar de estar isenta do pagamento de impostos em sede de IRC.

Ainda referente a 2017, a Associação Mutualista teve de reconhecer imparidades adicionais (provisões para eventuais perdas) com a Caixa Económica Montepio Geral e com as participações empresas de seguros (Montepio Seguros) no montante global de 233,4 milhões de euros”.

O número de associados, em 2017, decresceu 1,5% (uma variação de -7 mil associados, de 632 mil para 625 mil). “No entanto, as receitas associativas cresceram 234 milhões de euros, para 711 milhões de euros, fruto da dinâmica do relacionamento associativo obtido através da rede dedicada de gestores mutualistas e do contributo da rede de balcões da Caixa Económica Montepio Geral”, dizia a Mutualista.

A magna reunião vai decorrer  na Ordem dos Contabilistas Certificados.

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