Topo da agenda: o que não deve perder na economia e nos mercados esta semana

Começam esta segunda-feira as negociações da saída do Reino Unido da União Europeia, enquanto em Portugal, o Tesouro volta esta semana aos mercados para leiloar dívida de curto prazo. Nos EUA, vários governadores da Fed vão discursar, depois de o banco central ter subido as taxas de juro de referência.

Christopher Furlong/REUTERS

Início das negociações do Brexit

Mais de um ano depois de os britânicos terem votado para sair da União Europeia, começam esta segunda-feira as negociações do Brexit. O ministro David David, representante do Reino Unido, parte para o encontro em Bruxelas com o negociador da Comissão Europeia, Michel Barnier, em desvantagem depois da primeira-ministra Theresa May ter perdido a maioria absoluta no Parlamento nas eleições legislativas de dia 8.

Logo a seguir às eleições, a libra depreciou-se 2%. Não se auguram tempos calmos para a economia e para os mercados britânicos, com os investidores a recear a instabilidade política na região. O Conselho Europeu vai também reunir-se na quinta e na sexta-feira em Bruxelas para discutir o Brexit e as mudanças no conselho depois da saída do Reino Unido.

Portugal volta aos mercados

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, o IGCP, vai realizar dois leilões de dívida de curto prazo na próxima quarta-feira. O Tesouro vai procurar emitir entre mil milhões e 1.250 milhões em Bilhetes do Tesouro (BT) das linhas com maturidades em 22 de setembro de 2017 e 18 de maio de 2018, Os dois leilões de dívida a três e 11 meses, acontecem numa altura em que Portugal está a beneficiar numa descida dos juros benchmark no mercado secundário.

Na última quarta-feira, o IGCP voltou a pagar taxas mais baixas numa emissão de dívida pública de médio prazo. O Tesouro colocou 1.250 milhões de euros em Obrigações do Tesouro (OT) a cinco e dez anos, tendo conseguido taxas de juro abaixo dos 3%. A semana passada ficou também marcada por outra boa notícia para o financiamento de Portugal: a Fitch subiu a perspetiva do rating soberano de Portugal para positiva, de estável, mantendo a notação em BB+, ou seja no primeiro nível de ‘lixo’.

Os discursos da Fed depois da subida dos juros

A Reserva Federal norte-americana subiu o intervalo da taxa dos federal funds em 25 pontos base, para entre 1% e 1,25%, na semana passada, correspondendo às expetativas dos mercados. A justificação para o segundo aumento do ano e terceiro em seis prendeu-se com o crescimento económico e do mercado de trabalho, tendo Janet Yellen referido acreditar que a inflação abaixo dos 2% será transitória.

A presidente da Fed anunciou ainda uma redução do número de títulos de tesouro e títulos de hipoteca na folha de balanços do banco, iniciando assim um programa de normalização que dá fim à política de reinvestimentos e aos estímulos à economia. Esta semana, uma série de discursos de membros da Fed poderá dar mais indicações sobre o processo.

Segunda-feira é a vez de William Dudley, de Nova Iorque, e de Charles Evans, de Chicago. Seguem-se o vice-presidente, Stanley Fischer, Robert Kaplan, de Dallas, e Eric Rosengren, de Boston no dia seguinte. Sexta-feira, falam ainda o número três da Fed, Jerome Powell, e Loretta J. Mester, de Cleveland.

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