Topo da agenda: o que não pode perder na economia e nos mercados esta semana

Para a economia portuguesa, o destaque está esta semana nos dados do investimento e comércio, enquanto o BCE divulga os relatos da última reunião. Fora da Europa, o foco está na volatilidade dos preços do petróleo e no impacto da guerra comercial na economia chinesa.

Economia portuguesa em foco

O consenso entre economistas e Governo é que o ritmo de crescimento da economia portuguesa está a desacelerar. No primeiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal expandiu 2,1%, em termos homólogos, sendo que as exportações e o investimento têm sido os principais drivers de crescimento. Entre janeiro e março, as exportações de bens e serviços desaceleraram (para 4,6% no primeiro trimestre de 2018, de 10,1% no mesmo período do ano anterior) mais que as importações (para 5,4% de 9%).

Já o contributo da procura interna aumentou ligeiramente para 2,6 pontos percentuais (2,5 p.p. no 4º trimestre), refletindo a ligeira aceleração do consumo final e do investimento. Esta segunda e terça-feira, respetivamente, há novos dados que ajudarão a perceber o curso da economia no segundo trimestre, com a divulgação do inquérito de conjuntura ao investimento no primeiro semestre e das estatísticas do comércio internacional em maio. Quarta-feira, o INE publica ainda dados finais do Índice de Preços no Consumidor de junho, que poderão confirmar a estimativa rápida de uma inflação de 1,6%.

Efeitos da guerra comercial

As tarifas norte-americanas à importação de produtos chineses começam a entrar em vigor e o presidente Donald Trump está determinado em tributar bens no valor de 500 mil milhões de dólares. Pequim está de mãos atadas e insinuou que poderá usar a depreciação do yuan como uma forma de retaliação, ao permitir que a moeda registe maior perda mensal em junho.

Os próximos dados irão dar visão crucial sobre a economia da China, com a divulgação de informações sobre as reservas cambiais, inflação e balança comercial. Os números poderão reforçar a expetativa de desaceleração económica em China no segundo trimestre. Do lado dos EUA, serão conhecidos dados também da balança comercial e da inflação.

Volatilidade no petróleo

Esperam-se dias de volatilidade no mercado petrolífero. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e as nações aliadas anunciaram um relaxamento do acordo de produção, que levou a uma descida dos preços. No entanto, as ameaças de Washington de aplicar sanções ao Teerão determinaram novas subidas e o preço por barril de brent ultrapassou os 80 dólares.

Por seu turno, o Irão retaliou dizendo que pode bloquear o Estreito de Ormuz, uma importante localização petrolífera, que é responsável pela passagem de um quinto do petróleo do mundo. As tensões estão elevadas numa semana em que os EUA vão apresentar os inventários de petróleo bruto de junho e a OPEP vai divulgar o seu relatório mensal da OPEP.

Detalhes da reunião do BCE

Esta quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) publica os relatos da reunião de política monetária, na qual decidiu acabar com os estímulos monetários à zona euro. A 14 de junho, anunciou que o programa de irá decorrer com a compra de 30 mil milhões de euros por mês em ativos da zona euro até setembro e que no último trimestre do ano irá continuar com um volume mensal de 15 mil milhões de euros. As compras líquidas deverão nessa altura acabar, seguindo-se uma política de reinvestimentos.

A instituição liderada por Draghi anunciou também que deixou os juros em mínimos históricos, em vigor desde março de 2016, tal como era de esperar. A taxa de juro ditora continua em 0%, enquanto a taxa aplicável à facilidade de depósito também não sofreu alterações e permanece nos -0,40% e a taxa aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez fica em 0,25%. A divulgação dos relatos irá ajudar a perceber as preocupações dos decisões políticos.

Ler mais

Recomendadas

PSI 20 acompanha Europa em alta. Títulos do Grupo EDP impulsionam praça nacional

O principal índice bolsista português soma 0,46%, para 4.855,54 pontos.

Abrandamento da economia poderá ser entrave para Moody’s igualar as pares na avaliação de Portugal

A Moody’s tem agendada uma avaliação à notação da dívida soberana portuguesa esta sexta-feira. A agência poderá querer alinhar-se com a S&P e a Fitch através de uma subida de um grau para ‘Baa2’, mas as incertezas que estão a esfriar o crescimento da economia global poderão ser motivo para manter o ‘status quo’.

Acalmia cambial trouxe bons resultados em Wall Street

O índice tecnológico S&P, .SPL.RCT, que inclui empresas que têm uma maior exposição ao mercado chinês e estiveram no centro das vendas registadas na segunda-feira, foi aquele que mais valorizou nesta sessão, com um crescimento de 1,61%.
Comentários