Topo da agenda: o que não pode perder na economia e nos mercados esta semana

Fed, PSI 20 e emissão de Bilhetes do Tesouro na agenda.

REUTERS/Kevin Lamarque

Fed: aumento garantido

A primeira reunião do Federal Open Market Committee após Jerome Powell ter substituído Janet Yellen na liderança da Reserva Federal norte-americana deverá resultar no primeiro aumento nas taxas de juro este ano. O mercado dá como garantido que a reunião, que começa na terça-feira e termina no dia seguinte, irá confirmar a subida de 0,25 pontos percentuais para um intervalo entre 1,50% e 1,75%.

“Para os mercados, há poucas dúvidas sobre um aumento nas taxas este ano. Nenhum dos riscos que poderiam ter alterado a rota da Fed este mês – uma paralização do Governo, turbulência no mercado, ou alterações nos dados económicos devido ao mau tempo – acabou por se concretizar”,  sublinharam os analistas do ING.

Com essa certeza, a atenção dos investidores vai estar focada, portanto, nos sinais que a Fed poderá emitir sobre os planos para o resto do ano. Até agora, a Fed indicou que deverá fazer três subidas nas taxas este ano, mas alguns analistas dizem que esse número poderá acabar por subir para quatro.  O banco central já afirmou que  espera que a inflação atinja a meta dos 2% nos final do ano, portanto os comentários de Powell sobre as pressões inflacionárias deverão ser a peça-chave do comunicado e do discurso.

No entanto há dois outros aspetos a escrutinar: uma eventual referência às tarifas sobre as importações de aço e alumínio, ameaçadas por Donald Trump, e os novas previsões económicas do staff da Fed.

Entradas nos índices

Na bolsa nacional, a semana começa com a entrada da F. Ramada no PSI 20, a substituir a Novabase. O  setor da indústria passa a estar mais representado no principal índice lisboeta, com a entrada da firma de aços, armazenagem e ativos florestais. Os analistas têm salientado a capitalização da empresa, que é supera 300 milhões de euros, a forte valorização das ações, que em cinco anos passaram dos 0,70 para os 13 euros, e o aumento dos lucros, que quadriplicaram em 2017.

A primeira sessão da semana tem ainda outro motivo de interesse, a reentrada do BCP no índice Eurostoxx 600 após ano e meio de ausência.

“Este desenvolvimento é claramente positivo na medida em que aumenta a visibilidade junto dos investidores institucionais”, sublinha a equipa de research do BiG, explicando que “algumas gestoras de ativos têm critérios restritivos no que diz respeito às ações que podem incluir nas carteiras”.

Após S&P, foco passa para curto prazo

A dívida portuguesa de longo prazo esteve em destaque na semana passada, com o Tesouro a pagar as taxas mais baixas de sempre para colocar 1.250 milhões de euros em obrigações a 10 e 27 anos. A notação da dívida também esteve em foco, com a Standard & Poor’s a manter  o rating em BBB- e a perspetiva estável, conforme esperado.

As atenções viram-se esta quarta-feira para a dívida a curto prazo, com a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP vai realizar dois leilões de Bilhetes do Tesouro (BT) a seis e 12 meses, com o montante máximo estabelecido nos 1.500 milhões de euros.

No último leilão de dívida com as mesmas maturidades, que aconteceu a 17 de janeiro deste ano, Portugal obteve as taxas mais negativas de sempre. Nas BT a seis meses, o IGCP colocou 500 milhões de euros, com uma taxa de -0,425% e uma procura 2,19 vezes acima da oferta. Já no caso da dívida a 12 meses, foram emitidos 1.250 milhões de euros, com uma yield de -0,398% e uma procura em 1,7 vezes superior à oferta.

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