Topo da agenda: o que não pode perder na economia e nos mercados esta semana

O défice público de 2017 vai centrar as atenções logo no início da semana, com os analistas preverem uma queda para 1,1% do PIB. Nos mercados norte-americanos, um trimestre agitado deverá terminar ensombrado pelo caso Facebook/Analytica e pela ‘guerra comercial’ iniciada por Trump. contra a China.

Cristina Bernardo

Défice público cai, mas quanto?

A semana começa com um dos pratos mais fortes no menu dos indicadores económico: o défice público. O Instituto Nacional de Estatística divulga esta segunda-feira, às 11 horas, a primeira estimativa do saldo das administrações públicas em 2017.

Após os 2% atingidos em 2016, que permitiram a saída de Portugal dos Procedimento por Défice Excessivo, António Costa já afirmou que o défice deverá ficar nos 1,1% dos produto interno bruto (PIB). Os analistas consultados pelo Jornal Económico concordam com o primeiro-ministro e explicam que a descida deve-se ao robusto crescimento económico e a melhorias tanto no lado da despesa como da receita. Há vários pontos que suscitam debate, sobre a fórmula usada pelo Governo para a consolidação orçamental, nomeadamente o uso de elementos não-recorrentes e das cativações, o  que pode por em causa a sustentabilidade da descida do défice.

O défice não é, no entanto, o único ponto de interesse entre os números a divulgar pelo INE esta semana. Também na segunda-feira, vamos ficar a conhecer as Contas Nacionais Trimestrais por Setor Institucional, enquanto os indicadores do  clima económico e a confiança dos consumidores são publicados na terça-feira e a inflação de janeiro (primeira estimativa) na quinta-feira.

Facebook continua em foco

As ações da Facebook tombaram quase 14% numa semana, castigadas pelo escândalo Cambridge Analytica, que levou o CEO da rede social, Mark Zuckerberg, a admitir que a empresa cometeu erros que poderão ter levado ao uso indevido de dados de 50 milhões de utilizadores. A polémica causou dano significativo à reputação da Facebook, e deu mesmo origem a um movimento #deletefacebook.

Apesar do mea culpa do CEO, os holofotes vão continuar apontados à empresa. Zuckerberg já foi chamado a prestar explicações em Westminster e em Estrasburgo e é pouco provável que os governos e o reguladores deixem passar a oportunidade para tentar fiscalizar e responsabilizar a maior rede social do mundo.

Os problemas da empresa de Zuckerberg vieram ensombrar também as perspetivas para o setor das tecnológicas nos EUA, um dos grandes contribuintes para o rally bolsista de 2017,  nomeadamente com questões sobre o uso do Big Data. Na FAANG, além do referido tombo da Facebook, a Amazon desceu 3,20% nas últimas cinco sessões, a Apple 2,32%, a Netflix 1,88% e a Alphabet (dona da Google) 2,62%.

Final de um trimestre inesperado

Março só acaba no sábado, mas devido ao feriado de sexta-feira, o trimestre dos mercados encerra na quinta-feira. A análise dos primeiros três meses do ano nas bolsas mundiais inclui surpresas, sustos e volatilidade  – três meses mais do que previstos nas antevisões produzidas no início do ano.

Após um longo período de ganhos, as bolsas norte-americanas passaram, em finais de janeiro e início de fevereiro por várias sessões de quedas avultadas e de aumento da volatilidade, não só de um dia para o outro, mas mesmo dentro das próprias sessões. Dados forte do mercado de trabalho levaram a um aumento das taxas da dívida norte-americana no mercado secundário e a receios sobre um acelerar da normalização da política monetária, criando um movimento de correção nas bolsas.

No entanto, tal como muitos analistas e corretores disseram na altura, não foi o início de um selloff prolongado ou o fim do bull run. Se a correção foi ou não “saudável” ainda é cedo concluir, mas o Dow Jones perdeu quase 5% este trimestre e o S&P 500 perto de 3%.  A última semana do mês poderá ser importante no exercício de tentar perceber a tendência do segundo trimestre, ou seja, para ver se como os mercados reagem a dois assuntos que ensombraram as últimas sessões: o caso Facebook e o impacto da ‘guerra comercial’ iniciada por Donald Trump contra a China.

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