Transtejo continua em dificuldades para assegurar travessias

No primeiro semestre deste ano, deram entrada nos serviços da AMT- Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, 293 queixas de utentes em relação à Transtejo.

Rafael Marchante/Reuters

A Transtejo/Soflusa continua em sérias dificuldades para manter os níveis de serviços nas ligações fluviais entre as duas margens do estuário do Tejo, em particular em hora de ponta.

“Importa a este nível referir que o desinvestimento de que foram alvo estas empresas nos últimos anos, criou dificuldades que demoram a ser repostas na sua plenitude, nomeadamente ao nível da manutenção da frota, em que está atualmente a ser intervencionado um plano de manutenção com vista à recuperação dos níveis de eficiência e rapidez adequados, através do qual é previsível que se possam começar a sentir em breve as melhorias, sendo que a sua normalização em pleno envolverá ainda vários trimestres de atividade de manutenção contínua”, reconhece fonte oficial da administração da Transtejo, em resposta a questões colocadas pelo Jornal Económico.

Admitindo a existência de diversas “limitações”, a mesma fonte oficial da Transtejo assegura que “é realizada diariamente uma gestão muito ativa e dinâmica da frota, com vista a minimizar os impactos no serviço que presta aos seus clientes”.

“A Transtejo/Soflusa, continua fortemente empenhada em recuperar os níveis de eficiência e fiabilidade do seu serviço”, sublinha mesma fonte da empresa.

Apesar destes esforços, a Transtejo tem estado a ser alvo de queixas constantes por parte dos seus utentes desde há vários meses.

No ‘site’ oficial do órgão regulador do setor, a AMT – Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, constata-se que durante o primeiro semestre deste ano se registou um total de 293 queixas por parte dos utentes, o que correspondeu a 6,4% do total das queixas apresentadas à AMT contra os diversos operadores de transportes.

Das queixas à Transtejo sobressaem as referentes aos preços, pagamentos e bilheteiras (22,9%), seguindo-se as relativas a facturação incorrecta (20,8%), cumprimento defeituosos (17,4%), qualidade do atendimento (9,2%) e horários de funcionamento (8,2%).

“Tem acontecido quase todos os dias os barcos [estarem] avariados desde há algumas semanas, hoje [um dia da semana passada] mais uma vez aconteceu no barco das 18 horas para o Montijo; pelo que ouvi, acho que aconteceu o mesmo no barco do meio-dia”, queixou-se um utente da Transtejo há cerca de uma semana.

“Uma avaria em muitos dos casos significa espera de 1h30m, uma hora ou 30 minutos, em horas de ponta, esperarem por outro barco, sem terem alternativa, ficando os barcos lotados e ficando pessoas em terra”, acusa o referido utente da Transtejo.

Contactada pelo Jornal Económico, a AMT preferiu não se pronunciar sobre este assunto.

Por seu turno, a referida fonte oficial da Transtejo adiantou que o Grupo Transtejo/Soflusa, conta hoje com 25 navios com condições de exploração em serviço público.

Segundo esta mesma fonte, a gestão destes 25 navios, é realizada com base no planeamento de cumprimento das rotinas de conservação, reparação programada, requisitos de segurança e renovação de certificados de navegabilidade, o qual obriga que, com periodicidade bienal, todos os navios realizem estes trabalhos em seco.

“Desta forma, o plano geral de atividade, conjuga todas estas necessidades de forma a ter a disponibilidade necessária de 15 navios para realizar o serviço programado, o que tem vindo a ser assegurado, bem como, a disponibilidade de frota para realização pontual de substituições para fazer face a situações inesperadas, contabilizando-se no acumulado do ano de 2016, uma taxa de cumprimento do serviço programado de cerca de 98%”, garante a mesma fonte oficial da Transtejo.

Esta mesma fonte acrescenta que “as características de operação nas várias ligações fluviais da Transtejo/Soflusa são muito diferentes, o que leva a que haja navios específicos para as diferentes ligações, o que, pontualmente, mesmo com um número global de navios disponíveis superior às necessidades de serviço, possam existir supressões de serviços por indisponibilidade inesperada de uma tipologia de navio”.

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