Trichet diz estar “seriamente preocupado” com finanças mundiais

Antigo presidente do Banco Central Europeu alerta que cinco anos após o início do programa de compra de ativos da zona euro, os países da moeda única continuam numa situação anormal e mantém elevado endividamento.

Jonathan Ernst/Reuters

Sete anos depois de ter abandonado a liderança do Banco Central Europeu (BCE) e depois de ter assistido na primeira fila à pior crise da moeda única, Jean-Claude Trichet diz estar preocupado com as finanças mundiais. Em entrevista ao site de notícias “Politico”, o francês apontou para os riscos do ainda elevado endividamento dos Estados.

“Estou seriamente preocupado”, disse Trichet ao “Politico”, salientando que ainda vivemos numa “situação anormal”. Logo após a saída do economista do BCE, o seu substituto, Mario Draghi, colocou as taxas de juro de referência europeias em mínimos históricos e, um ano depois, deu início às políticas monetárias não convencionais.

Cinco anos após o início do programa de compra de ativos da zona euro pelo BCE, que muito contribuiu para as condições de acesso ao mercado e o controlo das yields de países em crise como Portugal, este continua. Para já, a um ritmo mensal de compras de 30 mil milhões de euros, está planeado até setembro.

Trichet defendeu que, neste cenário, a dívida global, tanto pública como privada, está demasiado elevada, especialmente tendo em conta que se seguiu a uma crise espoletada pelo mesmo tipo elevado endividamento. Acrescentou que os preços dos ativos nunca estiveram tão altos e que as possibilidades de novas bolhas sobem. Segundo o antigo banqueiro central, as raízes para a instabilidade financeira estão à frente dos olhos de todos.

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