Trump corta com Cuba para atingir a Venezuela

Imprensa fala da conexão entre o corte de relações com Cuba e um eventual cerco a Nicolás Maduro. Com o fantasma da intervenção armada por parte dos Estados Unidos a reaparecer.

A recente decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, em cortar a base de entendimento que o seu antecessor, Barack Obama, tinha engendrado com o regime cubano, não apanhou ninguém de surpresa – mais tarde ou mais cedo, haveria de suceder. Mas a imprensa venezuelana – tanto a que milita na oposição ao presidente Nicolas Maduro como a gravita à sua volta – converge numa explicação mais abrangente da decisão: o corte com Cuba inscreve-se numa lógica de confrontação, ou pelo menos de afrontamento, com os regimes de ambos os países, que Trump considera, desde os tempos da campanha eleitoral, serem inimigos de Washington e por isso alvos a perseguir.

A imprensa venezuelana da oposição salienta que o corte com Cuba anunciado por Trump percebe-se: “Raul Castro é quem verdadeiramente manda na Venezuela”, escreve Pablo Aure, comentador do ‘Noticiero Digital – que recorda ainda o tempo em que o antigo presidente Hugo Cháves, entretanto desaparecido, terá sonhado com a união entre os dois países. E, sendo assim, a iniciativa de Trump serve também para fazer uma espécie de cerco à Venezuela.

Na altura da campanha eleitoral, em Setembro de 2016, o agora presidente norte-americano afirmava que “o próximo presidente dos Estados Unidos deve ser solidário com as pessoas oprimidas que vivem na América do Sul, e na Venezuela há muitas pessoas oprimidas”.

No que parece ter dado esta ótica de conecção entre a Venezuela e Cuba foi no despertar do fantasma da intervenção armada de forças norte-americanas no ‘hemisfério de baixo’. Essa lógica, que chegou a ter um enquadramento legal nos Estados Unidos (a famosa Doutrina de Monroe) e um largo historial até anos muito recentes, era um dos maiores temores de Hugo Cháves, que por certo a terá deixado em herança a Maduro.

O mesmo comentador explica que, da decisão de Trump, devem “estar muito conscientes nos quartéis. Onde, nos últimos dias, se vêm escutando murmúrios suspeitos”.

Entretanto, e à medida a que se aproxima a data das eleições para a assembleia constituinte com que Maduro quer substituir o atual parlamento, 30 de julho, as ruas continuam a ser palco de grande violência.

Como que indiferente a tudo isto, a ministra venezuelana do Turismo, Marleny Contreras, esteve até domingo passado na China, na Feira Internacional do Turismo de Pequim 2017, para promover aquilo que considera ser o elevado potencial turístico do país…

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