Turismo sai a ganhar quando a Páscoa é em abril

As associações do setor da hotelaria e das agências de viagens consideram que a Páscoa quando celebrada em abril tem um impacto maior no Turismo, devido à melhoria do tempo e a uma maior distância de festividades como o Natal.

“Na Páscoa o impacto (positivo no turismo)é sempre sentido, independentemente de se realizar em março ou abril, sendo abril um mês mais forte para a hotelaria nacional, porque normalmente coincide com uma melhoria do tempo”, refere a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) numa resposta escrita à Lusa. De acordo com a associação, os hotéis em Portugal fecharam o mês de abril de 2017 com uma taxa de ocupação de 76%, quando na Páscoa do ano anterior, que se realizou em março, a ocupação foi de 68%. “O efeito da Páscoa foi notório, sobretudo, em destinos como o Minho ou o Alentejo, em que se percebeu que o fator do mês foi decisivo”, explica.

“(Em março de 2016) a hotelaria fechou o mês com uma taxa de ocupação a nível nacional de 62%, sendo que em 2015, no mês de março sem Páscoa, a taxa de ocupação foi de 55%”, acrescenta a mesma associação.

Opinião idêntica tem a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) relativamente ao facto de o impacto da Páscoa em abril ser superior ao sentido no mês de março. Em declarações à Lusa, o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, destaca, no entanto, como motivo o facto de – se celebrada mais tarde – a Páscoa ficar mais afastada das restantes festividades, como o Natal, o que permite uma maior “disponibilidade financeira”.

“Uma Páscoa mais tarde tende a ser melhor (ao nível das viagens) do que uma Páscoa mais cedo porque, havendo maior distância do Natal, há mais disponibilidade financeira e maior desejo de uma nova temporada de repouso/lazer, e porque há perspetivas de melhor tempo e isso estimula as férias”, indicou.

Relativamente à reposição de quatro feriados que tinham sido retirados em 2013, aprovada no parlamento em 2016, a AHP nota um impacto nas reservas efetuadas pelo mercado interno, sobretudo, quando estes se realizam perto de um fim de semana.

A AHP sustenta a sua afirmação em alguns exemplos como na taxa de ocupação dos hotéis de Lisboa e do Porto para o feriado de 1 de maio (Dia do Trabalhador). “Podemos concluir, quando analisamos os dados do Future Monitor da AHP (ferramenta que permite fazer previsõe), no caso do feriado 01 de maio, que ocorre este ano a uma terça-feira, metade dos hotéis de Lisboa e do Porto já têm uma data de ocupação superior a 75%. O mesmo acontece no Algarve para o feriado do Corpo de Deus, que este ano se celebra a 31 de maio (quinta-feira)”, explicou a AHP.

Pedro Costa Ferreira da APAVT defende, igualmente, que o impacto é tão maior quanto for a proximidade a um fim de semana e, apesar de não avançar números, garante que os operadores têm registado um aumento do número de vendas de viagens desde a sua reposição.

“Mais feriados, sobretudo, quando ficam perto do fim de semana e permitem fazer pontes são, altamente, benéficos para o turismo. (…) Temos mais movimento e vendas ao longo de toda a cadeia de valor, até aos hotéis e à animação turística. (Por outro lado), permite quebrar a sazonalidade e diversificar os destinos”, garantiu.

No que se refere aos feriados religiosos, para além do Corpo de Deus, que se comemora 60 dias após a Páscoa, foi reposto o Dia de Todos os Santos, que se comemora em 01 de novembro. Do lado dos feriados civis, foi reposto o dia em que se celebra a Implantação da República (05 de outubro) e o dia que marca a Restauração da Independência (01 de dezembro).

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