“Vamos conseguir dar mais dinamismo ao mercado e aumentar a capacidade de financiamento da economia” dizem fundadores da Raize

Em declarações ao Jornal Económico, Afonso Eça e José Maria Rêgo, fundadores da Raize, explicaram que era importante para empresa alargar a sua base de acionistas para que a empresa potencie o seu crescimento e dinamize a capacidade de financiamento na economia nacional.

Cristina Bernardo

A Raize entrou em bolsa numa operação em que foram colocadas 750 mil ações e em que a procura superou 3,7 vezes a oferta, conquistando 1.419 novos acionistas. Os resultados da oferta pública inicial (IPO, na sigla inglesa) avaliam a fintech portuguesa em 10 milhões de euros e permitem-lhe seguir no cumpriemento da sua missão. “A Raize tem de continuar a financiar a economia, tem de continuar a ser um motor de capitais em Portugal, com mais investidores, com mais empresas”, diz ao Jornal Económico Afonso Eça, um dos fundadores da empresa.

Com a oferta pública, a Raize não só concretiza a missão de “promover uma economia mais enraizada na sociedade e menos dependente do sistema financeiro tradicional” como dá o mote para o futuro da empresa, refere Afonso Eça. “É uma ideia de mercado [que coloca] em contacto investidores com empresas para financiar a economia”, explica José Maria Rego, outro fundador.

É neste contexto que se percebe a importância para a empresa em alargar a base de acionistas, o que é essencial para “potenciar o próprio mercado da Raize e o crescimento da empresa”, explica José Maria Rego, concluindo que é um passo para aumentar a capacidade da empresa. “Ao longo dos próximos tempos, seguramente vamos conseguir dar mais dinamismo ao mercado e, com isso, aumentar a nossa capacidade de financiamento na economia nacional”, diz.

Se a OPV, do ponto de vista interno da empresa, foi um sucesso, do ponto de vista de projecção externa alcançou o mesmo êxito. José Maria Rego, na sequência da apresentação dos resultados da operação, confessou que havia algum risco associado porque não havia uma empresa portuguesa a estrar-se em bolsa desde 2014.  Por isso, este dia demonstrou que é “possível às PME em Portugal entrarem em bolsa”.

No entender de Afonso Eça, com a OPV a Raize projeta uma imagem de união e de dinamismo em torno dos mercados capitais português que “exige um esforço de toda a gente e (…) cabe às empresas quererem entrar no mercado e cabe às empresas que estão no mercado manter o dinamismo dos seus títulos”. “Não há economias saudáveis sem mercados de capitais fortes”, rematou Afonso Eça.

O sucesso da operação até justificaria alguma euforia mas como foi assinalado por José Maria Rego. “É uma operação que ainda não terminou [porque] dia 18 [de julho ]é o primeiro dia de negociação, e é importante que estejamos prontos para responder às necessidades dos investidores”.

A Raize tem um plano claro para os próximos tempos que abarca não só as empresas com quem já trabalha, mas também todas aquelas que procuram um parceiro às instituições bancárias e que  lhes garanta financiamento. “Nós estamos cá para apoiar [as empresas], para ser um parceiro do dia a dia. O que queremos é continuar a ajudá-las no desenvolvimento das suas atividades e nos seus novos projetos”, afirmou Afonço Eça.

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