Vêm aí os russos

1. Vivemos em stresse permanente. Nós no dia a dia. Os bancos com os seus testes. Na passada 4ª feira a nova Rússia resolveu fazer uns “testes de stresse e de prontidão” a um conjunto de Estados europeus e, logo, à NATO. Ou, em francês OTAN. Recordei, nesse fim de tarde, um filme de 1966 […]

1. Vivemos em stresse permanente. Nós no dia a dia. Os bancos com os seus testes. Na passada 4ª feira a nova Rússia resolveu fazer uns “testes de stresse e de prontidão” a um conjunto de Estados europeus e, logo, à NATO. Ou, em francês OTAN.
Recordei, nesse fim de tarde, um filme de 1966 – ano em que ingressei, com o orgulho que nunca esqueço, no Colégio Militar – com o sugestivo título “Vêm aí os Russos”. Bem sei que era uma paródia a um tempo de confronto entre os EUA e a União Soviética. Mas importa não ignorar os sinais que nos chegam do ar. A “Nova Rússia” está, provocando, num processo de avaliação. O seu elemento simbólico é uma águia com duas cabeças. Uma olha para o Oriente e não sente perigo. A outra olha para o Ocidente, e logo para a Ucrânia, e quer impor respeito. Muito respeito.
2. Uma das marcas do pensamento soviético, que importa voltar a ler nestes finais de 2014, é o princípio segundo o qual há homens que possuem a verdade. Num interessante livro acerca de Kruschev – de Gregory Paloczi – Horvath de 1964! -, um líder soviético num tempo de acesas disputas no Partido, lê-se que “quando um único homem detém a verdade o artista não é mais do que um zelador, um adulador”. Importa que estes sinais dos céus não sejam nem minimizados nem, sequer, ignorados. Nem pela Europa em transição de liderança nem pelos EUA em processo eleitoral para o Congresso. Mas os “russos”, com mais ou menos energia, estão aí. E ajudam a entender a importância das Forças Armadas e a relevância da Força Aérea e das horas de voo para os seus pilotos. É que os russos andam aí. Nos nossos céus. E sem avisar. E sem reconhecerem que andam. O que é mais perturbante. É mesmo de “guerra fria”. Que stresse!!!
3. No arranque desta semana, ao escutar o doutor Nuno Amado instantes depois da divulgação oficial dos testes de stresse do Banco Central Europeu, senti um homem seguro e confiante. Sem stresse Percebemos que tudo tem feito – e continuará a fazer – para “salvar” o BCP de um conjunto de atos de gestão dos últimos anos, no mínimo angustiantes. E ao proclamar que o resultado “seria diferente se o exame fosse feito agora”, sabemos que, neste momento, a situação deste banco-âncora do sistema financeiro português conhece o conjunto das “perdas não declaradas” que o atingiram nos últimos anos, ou seja, nos últimos exercícios. É que, acredito, o BCP, este BCP, já ultrapassou a denominada “morosidade oculta” que condicionou muitos bancos e obrigou o doutor Nuno Amado, e a sua equipa, a difíceis momentos e a dolorosos atos de gestão. O saudoso Senhor Meu Pai, que também foi, em outro tempo e bem diferentes circunstâncias, presidente de um banco, aconselhou-me, já na fase final da sua vida, a ler um interessante livro, publicado em 2009, acerca do caso Madoff. O seu autor, Amir Weitmann, ajuda-nos a conhecer a história de uma das “fraudes” deste século e a geografia do seu crime. Mas uma “fraude” que tem o seu mentor preso. Condenado. Por cá o que vemos são os russos no céu. No nosso céu. Vêm aí.

 

Fernando Seara
fseara@csca.pt

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