Volatilidade “is back”. Risco passa a preocupante

A aversão ao risco está a gerar uma nova dinâmica nos mercados. A gestora BlackRock diz que os mercados amplificaram a questão da volatilidade. Dados macro passaram a ser cruciais. Na semana da Poupança os mercados deram os piores sinais e as decisões de política monetária estão a deixar os investidores e gestores mais apreensivos. […]

A aversão ao risco está a gerar uma nova dinâmica nos mercados. A gestora BlackRock diz que os mercados amplificaram a questão da volatilidade. Dados macro passaram a ser cruciais.

Na semana da Poupança os mercados deram os piores sinais e as decisões de política monetária estão a deixar os investidores e gestores mais apreensivos. No mais recente relatório da BlackRock é afirmado que os últimos três meses sugerem que se estará perante uma inversão de tendência, com os investidores mais preocupados com eventos de risco potencial, caso do impacto da nova política monetária da Reserva Federal, com o fim do programa de compra de ativos, ainda a estagnação económica na zona euro, o aumento do risco geopolítico em algumas regiões próximas do continente europeu e, de uma forma, geral um aumento do volatilidade nos mercados.

Refere Steven Santos que “como esperado pela XTB, a FOMC terminou nesta quarta-feira a terceira ronda de compra de ativos norte-americanos, acabando com um dos maiores programas de estímulo monetário na história da economia mundial. A principal conclusão da declaração de ontem é que a Reserva Federal vê “ganhos sólidos no emprego”, acreditando que a baixa utilização dos recursos humanos está a diminuir gradualmente. O tom altamente conservador do banco central assustou os investidores, com o USD a ganhar força, enquanto que o ouro, a prata e os índices acionistas sofreram pressão vendedora”. Adianta que os ativos emergentes, sobretudo as divisas, deverão ser os mais penalizados pela conclusão do QE, uma vez que o fim da liquidez fácil concedida pela Reserva Federal e a expectativa de que os juros de referência (Fed funds rate) venham a subir no próximo ano obrigam os investidores norte-americanos a reavaliar as suas carteiras. Os mercados emergentes caracterizam-se por ser pouco eficientes e o rendimento gerado nos últimos anos nem sempre compensa o risco associado, que inclui o risco geopolítico ou o risco de inflação. Os índices acionistas da Europa de Leste, como a Polónia e Hungria, estão a registar perdas.

Esta manhã, as bolsas europeias abriram positivas, devido a um conjunto de resultados trimestrais otimistas por pesos-pesados, como a Alcatel, a Technip, a Renault e a Volkswagen. No entanto, a baixa inflação em várias regiões alemãs, incluindo a Saxónia, reacendeu os receios de deflação na zona euro, “levou a uma venda generalizada nas ações europeias”, diz o gestor da XTB. A bolsa mais afetada foi a de Itália, onde o Banca Monte dei Paschi di Siena continua com sérias dificuldades desde o resultados dos testes de stresse do BCE e as ações foram suspensas na manhã de ontem.
“Os mercados estão nervosos porque o sentimento de risco na vertente acionista aumentou muito no último ano e meio”, diz Nuno Serafim da Intermoney Valores. Os investidores estiveram “defensivos nestes quase dois anos que passaram e com as ações a manterem um comportamento fantástico. Acontece que na eventualidade de acontecer algum evento de risco e perante uma redução o nível de segurança, o receio de volatilidade aumenta e cresce a referida aversão ao risco”. Acresce que outubro é tradicionalmente volátil e neste final de mês os índices estão globalmente a cair. Num comentário global de analistas ao fim do programa de QE dos EUA é que “aparentemente enão houve nada de surpreendente. O mercado estava simplesmente muito sensível à retirada de estímulos. O programa de QE da FED reduziu bastante a aversão ao risco e vai inverter os papéis. Analistas como Nuno Serafim acreditam que a atitude dos EUA “vai ter de ser compensada pelo BCE com maior voluntarismo e com compras mais abrangentes, e eventual alargamento até final do ano de compras de ativos como corporate debt e dívida soberana”. O mercado está a pressionar o BCE para que o faça, mas não existe dados suplementares do regulador. Aliás, esta política de compras mais abrangentes tem sido negada por Mario Draghi, o presidente do BCE, e por outros responsáveis da mesma instituição. No entanto, os analistas de mercado acreditam que isso terá de acontecer mais cedo ou mais tarde. Acresce que o objetivo de compra pelo BCE de ativos e que foi amplamente publicitado, é um milhão de biliões de euros e não existe stock de dívida titularizada nesse valor. Logo, é legítimo pensar que para fazer face a esse objetivo será necessário alargar as compras.

Refere ainda a BlackRock que neste trimestre constatou-se uma alteração das condições de mercado quando analisados os mercados desenvolvidos versus os mercados emergentes. Alertam ainda para um persistente recuo das yields a nível de de dívida soberana e uma derrapagem na evolução do mercado acionista. E dentro deste cenário que falam em risco no horizonte, embora não o considerem suficientemente perigoso. Alertam para o impacto das políticas monetárias dos grandes bancos centrais. É esperada uma atitude mais pró-ativa da parte do Banco do Japão.

 

Vítor Norinha

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