Wall Street abre em baixa em dia de encontro entre Trump e Juncker

Além das questões comerciais, os investidores continuam também atentos à época de resultados. O setor industrial é o mais penalizado, apenas a apresentação de contas da Boeing e da General Motors, esta quarta-feira.

Reuters

Wall Street abriu esta quarta-feira com perdas ligeiras, no dia em que o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, se reúnem em Washington para debater as relações comerciais entre os dois blocos. Os resultados trimestrais da Boeing penalizaram o setor industrial.

O índice industrial Dow Jones abriu com um recuo de 0,23% para 25.183,70 pontos, enquanto o financeiro S&P 500 cede 0,09% e o tecnológico Nasdaq desliza 0,02%.

A Boeing cai 2,45% para 349,31 dólares, depois de ter anunciado lucros de 3,33 dólares por ação (face às estimativas de 3,26) no segundo trimestre do ano. As estimativas da empresa é que no total do ano, os lucros por ação fiquem entre 14,30 e 14,50 dólares (em comparação com os 14,56 dólares antecipados pelos analistas).

Também a General Motors está entre as empresas que mais caem, com um tombo de 6,4% para 36,95 dólares devido ao impacto da subida dos custos do aço e alumínio, causada pelas tarifas aduaneiras impostas por Trump, nas contas da empresa. A General Motors fechou o segundo trimestre com um lucro de 1,81 dólares por ação.

Dólar recua em dia chave para o comércio EUA-UE

“A União Europeia está a chegar a Washington para negociar um acordo sobre o comércio. Eu tenho uma ideia para eles. Tanto os EUA como a UE devem deixar cair todas as tarifas, barreiras e subsídios! A isso chamar-se-ia finalmente mercado livre e comércio justo! Espero que o façam, nós estamos prontos – mas eles não o vão fazer!”, escreveu o chefe de Estado norte-americano, esta terça-feira, no Twitter.

A publicação foi feita antes de Trump receber Juncker para debaterem as relações comerciais entre os dois blocos.

As relações comerciais entre Bruxelas e Washington estão tensas, não só devido às taxas alfandegárias impostas pelos EUA às importações de aço e alumínio – e já retaliadas pelo bloco europeu –, mas também pela ameaça de Trump de aplicar tarifas às importações de automóveis oriundas da UE, caso os representantes comunitários não negoceiem de “boa-fé” na visita à Casa Branca.

No mercado cambial, a moeda norte-americana deprecia-se 0,09% contra o euro para 1,1698 dólares, 0,05% contra a libra para 1,315 dólares e, face à par japonesa, 0,13% para 111,06 ienes. No mercado de dívida, as yields das Treasuries a 10 anos recuam 0,56 pontos base para 2,943%, a aliviar das fortes subidas dos últimos dias.

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