Wall Street tomba depois das tarifas de Trump sobre a importação de aço e alumínio

Isto após a aparição pública de Jerome Powell, presidente da Fed, e depois do presidente Donald Trump ter confirmado uma tarifa de 25% para a importação de aço e de 10% em importação de alumínio.

Kai Pfaffenbach/Reuters

O anúncio de Trump sobre a imposição de tarifas alfandegárias às importações de aço e alumínio pôs Wall Street em terreno negativo. O Dow Jones caiu 1,68% para 24.608,98 pontos, perdendo o marco de 25 mil pontos que já tinha conseguido recuperar. O S&P 500 perdeu 1,33% para 2.677,67 pontos e o Nasdaq caiu 1,27% para 7.180,56 pontos.

Isto após a aparição pública de Jerome Powell, presidente da Fed, e depois do presidente Donald Trump ter confirmado uma tarifa de 25% para a importação de aço e de 10% em importação de alumínio. Trump referiu que vai assinar formalmente estas medidas na próxima semana, e prmeteu que ficarão em vigor “durante um longo período de tempo”.

As mais afectadas com as notícias de hoje foram a Boeing que deslizou 3,46% e a United Technologies Corp (-3,3%); seguindo-se a Intel Corp (-2,94%); a Caterpillar (-2,85%); e a American Express (-2,43%).

Pela positiva só a Chevron se destacou no verde com uma ascensão de 0,11%.

Os investidores voltaram hoje a olhar para Jerome Powell, quando o presidente da Reserva Federal (Fed) compareceu perante o Comité Bancário do Senado, no âmbito da intervenção semestral. Na fase das perguntas e respostas Powell revelou que “não há provas de que a economia esteja a sobreaquecer”, disse, acrescentando que “nada sugere que a inflação salarial esteja a acelerar”.

Depois dessas mensagens o mercado chegou a tocar terreno positivo, embora depois das perdas tenham crescido na Bolsa de Valores de Nova York após o anúncio do Trump.

Por esse motivo, reiterou a sua mensagem de que o aumento gradual das taxas de juros e a redução do balanço da Fed são medidas necessárias para “impulsionar” o crescimento económico, enquanto a inflação não atinge a meta de 2%.

O índice de preços do consumidor dos Estados Unidos (PCE), excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, medida da inflação mais seguida pela Fed, aumentou ligeiramente (0,3%) em janeiro  e manteve-se em 1,5% na taxa anual, em linha com as previsões e ainda longe do objetivo de 2% estabelecido pelo banco central.

O resultado da inflação ficou em linha com as expectativas dos economistas.

Outros dados nesta quinta-feira mostraram que o número de norte-americanos que entraram com pedidos de subsídio de desemprego caiu na semana passada para o menor nível em mais de 48 anos.

As reivindicações iniciais caíram de 220 mil para 210 mil. E os pedidos contínuos (desempregados de longa duração) permanecem abaixo de 2 milhões. Esses dados reforçam o bom momento do mercado de trabalho americano.

Um mercado de trabalho robusto e a inflação em alta podem forçar o Federal Reserve a elevar os juros de forma um pouco mais agressiva este ano do que esperado atualmente para impedir que a economia aqueça exageradamente. O Fed projeta três a quatro subidas de juros em 2018.

Finalmente, o ISM de produção industrial de fevereiro subiu de 59,1 para 60,8, acima do esperado que era de 59,0.

O petróleo caiu também hoje. O WTI perde 0,54% para 61,31 dólares e o Brent, referência na Europa, caiu 0,83% para 64,19 dólares.

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